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Baixo comparecimento pode anular referendo húngaro contra migrantes

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O referendo convocado pelo governo húngaro falhou neste domingo (2) ao não reunir os 50% da população necessários para que fosse válido.

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Segundo dados preliminares, a maior parte de quem foi às urnas, 95%, votou por rejeitar as cotas de refugiados estabelecidas pela União Europeia. Mas apenas 45% dos eleitores participaram do referendo, o que anula o intento.

O resultado é uma derrota para o premiê Viktor Orbán, que planejava montar nos resultados e catapultar-se como uma força política na Europa. Ele não conseguiu convencer em seu próprio país com o discurso xenófobo.

Outros referendos no passado, como um voto sobre a Otan (aliança militar ocidental), não conseguiram reunir mais de 50% da população.

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O referendo realizado neste domingo perguntava à população se a União Europeia poderia impôr cotas de migrantes sem ter a aprovação da Assembleia Nacional.

Por decisão da União Europeia, 1.294 pessoas vão ser encaminhadas para a Hungria na distribuição de refugiados ao redor do bloco.

O governo húngaro havia feito campanha relacionando a presença de refugiados com maiores probabilidades de um atentado terrorista.

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"Quanto mais migrantes houver, maior será o risco de um ataque", disse o premiê.

Ele também justificou a rejeição a refugiados a partir da ideia de que a entrada de muçulmanos ameaça a identidade cristã da Europa. O premiê chegou a sugerir, em setembro, a construção de uma cidade para refugiados na Líbia -- um país que hoje passa por um conflito civil.

RIVAL

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Orbán é o principal adversário de Angela Merkel, chanceler da Alemanha, na polêmica sobre a migração.

Merkel advoga pelas portas abertas aos refugiados, mas Orbán quer fechá-las.

A Alemanha recebeu quase 900 mil migrantes em 2015. A postura, no entanto, danificou a popularidade de Merkel, cujo partido tem sofrido sucessivas derrotas eleitorais nos últimos meses.

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O premiê húngaro, por sua vez, fechou as fronteiras com a Sérvia e com a Croácia com uma cerca de arame e deslocando 8.000 membros do Exército e da polícia.

Por volta de 400 mil refugiados passaram pelo país em 2015 rumo à Europa Ocidental, mas apenas 508 deles conseguiram asilo ali.

A questão, mais do que numérica, diz respeito à visão húngara do bloco econômico e a quais são os limites de sua gestão. Para a Hungria, a entrada de refugiados é, por exemplo, uma questão de soberania nacional.

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ATRITO

A derrota de Orbán no referendo enfraquece sua posição, em um momento em que ele está em atrito com outros líderes europeus.

"Se houver mais votos pelo 'não' do que pelo 'sim', isso significa que os húngaros não aceitam a medida que os burocratas da Comissão Europeia querem nos impôr à força", ele havia dito dias antes do pleito. A comissão é o braço Executivo do bloco.

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Jean Asselborn, chanceler de Luxemburgo, recentemente pediu que a Hungria fosse expulsa do bloco por tratar refugiados "pior do que animais selvagens".

"Não podemos aceitar que os valores fundamentais da União Europeia sejam maciçamente violados", disse.

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