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ATUALIZADA - Obama evoca Trump, Putin e zika em seu último discurso na ONU

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Prestes a deixar a Casa Branca, Barack Obama proferiu seu último discurso presidencial na ONU (Organização das Nações Unidas) nesta terça-feira (20).

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Disposto a construir um legado, ele enfileirou diretas (Rússia, Coreia do Norte) e indiretas (Donald Trump) ao apontar duas possíveis medidas para o mundo: a do copo meio cheio ou meio vazio.

Se é verdade que "nossas sociedades estão repletas de incerteza, inquietação e conflito", com pessoas que "perderam fé em suas instituições", Obama também lembrou que a vida hoje é "mais próspera e menos violenta" do que no fim da Guerra Fria. É a união, e não o "cada um por si", que fará o mundo ir para frente, afirmou.

"Uma nação cercada por muros apenas conseguirá se aprisionar", disse diante de dezenas de chefes de Estado, na abertura da Assembleia Geral da ONU.

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Essência da tônica de Trump, que faz campanha para suceder Obama, o muro evocado não é só literal ?como aquele que o republicano promete construir na divisa com o México.

"Acredito que temos, neste momento, uma decisão a fazer", afirmou. "Podemos escolher pressionar por um modelo melhor de cooperação e integração ou recuar para um mundo bruscamente dividido e, por fim, em conflito por linhas seculares de nação, tribo, raça e religião."

"É o paradoxo que nos define hoje", disse, antes de sugerir que "avancemos, e não voltemos para trás".

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Inclusive epidemias como a zika, que assolou o Brasil e agora chega aos EUA, só serão vencidas em conjunto. "Mosquitos não respeitam fronteiras."

A defesa dos refugiados ?tema de cúpula que liderará à tarde? foi um dos pontos centrais de sua fala.

Líderes mundiais devem "ter empatia" e imaginar "como seria se o inenarrável acontecesse com a gente", e suas famílias e crianças fossem obrigadas a deixar suas terras às pressas.

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Ele pediu uma "correção de curso" da globalização, reconhecendo que o livre comércio "abriu um fosso entre ricos e pobres". Mas o governo que se isolar do resto do mundo, afirmou, estaria fadado a uma "autoderrota".

"O mundo é muito pequeno para que a gente simplesmente construa um muro e previna que nossas próprias sociedades sejam afetadas."

Em 2009, Obama estreou na mais global das arenas se dizendo "bem ciente das expectativas que acompanham minha presidência ao redor do mundo".

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Afirmou então que ao chegar à Casa Branca, nove meses antes, outros países viam os EUA "com ceticismo e desconfiança". Dias depois, o primeiro presidente negro do país ganhou o Nobel da Paz pelos "esforços extraordinários" em promover "a cooperação entre os povos".

Corta para 2016

O mundo que ele vislumbrava oito anos atrás virou abóbora. Velhos conflitos, iniciados pelo antecessor, George W. Bush, continuam sem desfecho ?ao menos nem Iraque nem Afeganistão são a democracia vibrante que os EUA prometiam entregar. E os fronts no Oriente Médio se multiplicaram, com intervenções em Síria, Líbia e Iêmen.

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Das promessas mencionadas na primeira ida à ONU e que não se concretizaram: o fechamento da prisão de Guantánamo, a retirada integral das tropas em solo iraquiano e afegão e a negociação de paz entre Israel e Palestina.

De partida, Obama defendeu o que considera conquistas de seu governo, entre elas o Acordo de Paris, com medidas de combate à mudança climática, e o acordo nuclear com o Irã.

O fim de semana que antecedeu o encontro dos líderes mundiais, contudo, serviu de lembrete dos desafios contemporâneos. Em 48 horas, foram mais de dez bombas plantadas em Nova York e Nova Jersey e um esfaqueamento em Minnesota reivindicado pela facção terrorista Estado Islâmico ?que Obama definiu como "ameaça medieval estúpida".

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"Vez ou outra, os seres humanos têm acredito que enfim chegaram a um período de iluminação, apenas para repetirmos ciclos de conflito e sofrimento. Talvez seja nosso destino."

Num mundo em que os tons de cinza valem não só para seu cabelo, um grisalho inexistente há oito anos, Obama disse que é preciso lutar contra a intolerância.

Ainda que o empresário não tenha sido citado, ficou evidente o desgosto do presidente com a "doutrina Trump", que contagia governos de extrema-direita ao redor do globo.

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"Parece haver um embate crescente entre o autoritarismo e o liberalismo, e quero que todos entendam que não sou neutro nesse conflito."

O presidente Vladimir Putin, que desistiu de ir à Assembleia Geral, não foi poupado. "Num mundo que deixou para trás a era do império, vemos a Rússia tentando recuperar a glória perdida por meio da força", disse, enquanto os representantes de Moscou o olhavam com cara de poucos amigos.

"Não é surpresa", afirmou o americano, "que há quem argumente que o futuro pertence aos homens fortes, um modelo vertical em vez de fortes instituições democráticas."

Já perto do fim do discurso, Obama citou Martin Luther King (1929-1968), pedindo que todos pensem em si não como "divisores", mas como "colegas de trabalho de Deus".

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