Satisfação será dizer que paz ganhou, afirma líder das Farc em conferência
SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL
BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - O líder máximo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Rodrigo "Timochenko" Londoño, abriu neste sábado (17) a décima conferência da guerrilha, num acampamento nos Llanos del Yarí, perto de San Vicente del Caguan.
O encontro, que durará cinco dias, conta com os principais comandantes da guerrilha, além de representantes de todas as "frentes" da milícia espalhadas pelo país. O objetivo é aprovar o acordo de paz elaborado pelas equipes de negociadores das Farc e do governo em Havana.
Uma vez referendado pelos guerrilheiros, o documento será assinado por "Timochenko" e o presidente Juan Manuel Santos, no próximo dia 26, em Cartagena. No dia 2 de outubro, será a vez de a população colombiana ir às urnas em plebiscito para dizer "sim" ou "não" ao acordo. Se a alternativa "sim" tiver mais de 13% dos votos, ou seja 4,5 milhões, o acordo será implementado.
"Timochenko" fez seu discurso num palco armado no meio do acampamento, onde também se previam shows e outros discursos para o decorrer da noite.
Vários líderes da guerrilha o rodeavam, vestindo camisetas com o novo slogan das Farc: "reconciliação nacional, paz com justiça social e democracia avançada". Entre eles, estavam alguns dos que participaram da confecção do texto em Havana, como Iván Márquez e Pablo Catatumbo.
Após as execuções dos hinos das Farc e da Colômbia, "Timochenko" adiantou que o encontro terá duas prioridades: analisar o acordo em detalhes e decidir que passos tomar para que as Farc deixem de ser uma organização armada e se transformem em um partido político.
"Precisamos conseguir que a paz se transforme em uma realidade em nosso país, mas sobre uma base de justiça social e democracia. Devemos lançar uma mensagem nova, fresca e esperançosa." Ele ainda pediu aos guerrilheiros que ajudem a apresentar ao país "uma forma diferente, saudável e transparente de fazer política."
O líder também reforçou que o que for decidido na conferência será de "cumprimento obrigatório", dirigindo-se assim a outro dos temas que serão tratados durante a conferência: as dissidências que já vêm ocorrendo por parte de guerrilheiros que veem a assinatura do acordo como uma derrota e uma resignação.
Aos que vislumbram a ideia de não aceitar o acordo, "Timochenko" foi claro e reafirmou que "nem o Estado nem a guerrilha saíram vencedores. Se nossos adversários estão dizendo que ganharam a guerra, deixe que digam. Para as Farc, a maior satisfação será dizer que quem ganhou foi a paz."
