ATUALIZADA - Praia onde ator morreu estava sem alertas
JOÃO PEDRO PITOMBO, ENVIADO ESPECIAL
CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO, SE (FOLHAPRESS) - Se o ator Domingos Montagner, da novela "Velho Chico", mergulhasse há um ano na mesma praia onde morreu afogado nesta quinta-feira (15), placas sinalizariam o perigo da correnteza, boias determinariam a área propícia para banho e salva-vidas estariam de prontidão no local.
Mas uma reforma na orla da "prainha" às margens do rio São Francisco, na cidade de Canindé de São Francisco (SE), fez com que toda a sinalização fosse retirada e os cinco salva-vidas contratados pela prefeitura fossem demitidos em fevereiro deste ano.
Inaugurado no dia 30 de julho com a presença do governador Jackson Barreto (PMDB), o trecho de orla foi reaberto ao público desde então. A prefeitura, porém, não repôs a sinalização e boias nem recontratou salva-vidas.
Secretário municipal de Turismo, Dimas Roque afirma que a obra não foi oficialmente entregue pelo governo do Estado. A prefeitura aguarda uma cessão da área pela Superintendência do Patrimônio da União para autorizar a ocupação dos quiosques e instalar placas e boias.
A obra, que custou R$ 6,5 milhões, equipou a praia com 14 quiosques, um restaurante, parquinho e campo de futebol. A região costuma atrair cerca de 150 mil turistas por ano, segundo a prefeitura.
TRECHO PERIGOSO
Ribeirinhos e bombeiros que atuam na região afirmam que o trecho do rio onde Montagner e Camila Pitanga foram mergulhar é perigosa.
A área fica próxima às comportas da Usina Hidrelétrica de Xingó, cuja força das águas ajuda a formar correntes e redemoinhos no rio.
Por causa disso, apenas a faixa de água rente a margem do rio é usado por banhistas. Mesmo assim, são comuns afogamentos na região.
"Há uma semana, duas pessoas de um grupo que veio de Aracaju quase se afogaram na praia", diz José Normando Santana, 39, o Buda.
Pescador e barqueiro, Buda foi salva-vidas na "prainha" por dez anos até se demitido no início deste ano.
Até 2013, 11 salva-vidas trabalhavam em regime de revezamento na "prainha". Naquele ano, contudo, mais da metade da equipe foi demitida pela gestão do prefeito Heleno Silva (PRB).
A prefeitura alega que cortou gastos por causa crise: "Houve uma redução do quadro, mas não afetou a proteção dos turistas".
Os últimos cinco salva-vidas foram demitidos no início das obras na "prainha". Parte deles, com salários atrasados, entrou com ação contra a prefeitura na Justiça.
Dimas Roque afirma que os salva-vidas serão recontratados assim que a estrutura construída for repassada do Estado para a prefeitura. "Sem regularizar a situação, não podemos colocar servidores trabalhando lá", diz o secretário.
Na praia, dois postos de salva-vidas recém-construídos estão vazios. Turistas permanecem frequentando o rio.
ENTERRO
Após passar por necropsia no Instituto Médico Legal de Aracaju, que confirmou morte por asfixia mecânica decorrente de afogamento, o corpo do ator paulistano, morto aos 54 anos, chegou a São Paulo na tarde de sexta (16).
Ele será enterrado neste sábado (17), no Cemitério da Quarta Parada, região leste de São Paulo, após velório. As cerimônias serão restritas a familiares e amigos íntimos.
