Nado em rio requer atenção redobrada, dizem especialistas
PAULO GOMES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte do ator Domingos Montagner, 54, na última quinta-feira (15) no rio São Francisco, no sertão de Sergipe, despertou a atenção de especialistas para os riscos de morte por afogamento.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 372 mil pessoas morram afogadas no mundo por ano. No Brasil, os dados mais recentes do DataSUS (base nacional) apontam 5.304 óbitos por essa causa em 2014 -mais de 14 casos diariamente.
O nado em rio, como no caso de Montagner, exige cuidados especiais para quem não está acostumado. "A água doce é menos densa do que a do mar, em que é mais fácil flutuar por causa da salinidade", explica João Eduardo do Espírito Santo, instrutor de rafting em São Luiz do Paraitinga (SP).
Ele orienta procurar áreas de remanso (na margem, quando forma uma espécie de pequena enseada e onde a correnteza é fraca) e nunca se afastar da margem. "Não tem lógica nadar distante em um rio grande", reforça.
Em caso de ser pego por uma correnteza, a dica é evitar pânico e deixar o corpo leve, sem oferecer resistência, como afirma Apolo Heringer Lisboa, professor de medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). "Tem que ter a cabeça fria e deixar a água levar, procurar a margem. Não pode tentar nadar contra a correnteza."
Ele reforça o conselho de não entrar na água após as refeições. Como os órgãos responsáveis pela digestão usam muito sangue do corpo, a pessoa terá menos disposição para escapar de uma situação de perigo, segundo Lisboa.
"Se a pessoa se desesperar com a correnteza e tentar dar braçadas para escapar, os músculos vão exigir sangue também. Pode faltar sangue no cérebro e ela desmaiar. Muitas vezes a pessoa se afoga porque desmaia", diz.
BARRAGENS
Ambientalista, Lisboa capitaneia o projeto Manuelzão, de revitalização do rio das Velhas, o maior afluente do São Francisco, e, portanto, conhece bem o Velho Chico.
"Essa região tem hidrelétricas em cascata: Xingó, Sobradinho, Paulo Afonso, Moxotó", diz. As usinas podem abrir as comportas para liberar água, o que altera o nível do rio em instantes. Por causa disso, não é recomendado nadar próximo às barragens.
"A qualquer momento a água sobe ou desce um metro. E é uma região cheia de pedras. Essa combinação de correnteza irregular com pedra é um perigo."
