Em protesto menor, oposição reúne centenas contra Maduro em Caracas
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Batendo panelas, centenas de opositores protestaram nesta sexta-feira (16) contra o presidente Nicolás Maduro nas ruas da capital venezuelana, Caracas.
O ato, porém, foi menor do que os anteriores convocados pela oposição. O primeiro grande protesto neste mês, no dia 1º, reuniu 1 milhão de pessoas, segundo a coalizão opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática).
O protesto desta sexta novamente pedia a realização do referendo revogatório contra Maduro ainda neste ano, para que aconteçam novas eleições. Caso a consulta ocorra em 2017 e Maduro seja destituído, assume o vice-presidente.
Nesta sexta, durante as manifestações, o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) suspendeu os trabalhos alegando "ameaças". O órgão adiou para segunda-feira (19) a divulgação da data para a coleta pela oposição das 4 milhões de assinaturas necessárias para chamar o referendo.
A oposição acusa o órgão de atuar a serviço do chavismo ao protelar as decisões referentes ao processo do referendo.
"Penso que não [acontecerá este ano o referendo], mas quero que aconteça e estou aqui para unir esforços", disse à agência de notícias AFP o comerciante Antonio González, 40.
"A situação é intolerável. Estou farta de filas, eu não consigo encontrar alimentos ou medicamentos. Como isso é possível?" afirmou à Reuters a dona de casa Edelmira Flores, 59, que acenava com uma bandeira em uma praça de Caracas.
Apesar do número menor de participantes, o presidente da Assembleia Nacional, o opositor Henry Ramos Allup, citou o "êxito" do ato desta sexta. "Nem todos os eventos podem ser desse tamanho", disse Allup, em referência ao protesto do dia 1º.
Os protestos contra Maduro também aconteceram no interior, em cidades como Maracaibo (noroeste) e San Cristóbal (sudoeste) —nesta última, participaram cerca de 300 pessoas.
Um dos partidos da coalizão de oposição, o Justiça Primeiro, afirmou que cinco de seus ativistas haviam sido presos durante a noite de quinta-feira (15) nos Estados de Zulia e Anzoategui, em meio ao que ativistas dizem ser uma onda de repressão promovida pelo governo Maduro.
Assim como em outros dias de manifestações da oposição, o governo também convocou o seu protesto. Vestidos de vermelho, militantes chavistas se reuniram em frente ao prédio do CNE.
"Hoje novamente venceu a paz frente à chantagem da direita. Foi uma demonstração da nossa capacidade de mobilização", disse o deputado chavista Elías Jaua.
A Venezuela enfrenta uma grave crise econômica. Segundo estimativas do setor privado, a escassez de produtos alcança 80% do setor de alimentos e remédios. O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta uma inflação de 720% para este ano.
