Itamaraty extingue departamento de combate à fome
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à reestruturação administrativa promovida pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra, o Itamaraty extinguiu a Coordenação-Geral de Cooperação Humanitária e Combate à Fome (CGFOME), peça da estratégia de "soft power" do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Criado em 2004, o órgão tinha como função coordenar as ações brasileiras de combate à fome em outros países.
As iniciativas do programa se dividiam basicamente em apoio financeiro e doações de itens de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos, a nações com dificuldades.
O programa beneficiou mais de 96 países na América Latina e Caribe, África, Ásia e Oriente Médio.
A reforma administrativa levou a uma redistribuição de competências dentro do ministério. O governo determinou o enxugamento da estrutura e a devolução de 46 cargos comissionados. A pasta, contudo, ressalta que a mudança não acabou com o tema.
"As funções realizadas anteriormente pela CGFOME foram atribuídas a outras unidades do Itamaraty a fim de se manter a continuidade, sendo as operações de cooperação humanitária assumidas pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e as atividades de coordenação política assumidas pela Divisão de Temas Sociais (DTS)", informou o Itamaraty, em nota.
Em março, num episódio polêmico, o ministro Milton Rondó Filho, então chefe da Coordenação-Geral de Cooperação Humanitária e Combate à Fome, emitiu telegramas a todas as embaixadas e representações do Brasil no exterior com mensagens alertando sobre uma tentativa de golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Rondó Filho acabou exonerado do cargo pouco tempo depois.
