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Maestro John Neschling fica em silêncio na CPI do Municipal

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GUSTAVO FIORATTI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dez dias após ser afastado do cargo de diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo, o maestro John Neschling foi intimado a comparecer a sessão da CPI da Câmara Municipal que investiga irregularidades nas contas do teatro.

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Ele já havia prestado depoimento em agosto, mas nesta quarta-feira permaneceu em silêncio diante de todos os questionamentos feitos pelos vereadores da comissão.

Neschling foi questionado sobre sua ligação com o agente Valentin Proczysnki, desta vez na presença de José Luiz Herencia, ex-diretor geral do Municipal.

Investigado na CPI por participação, por ele confessada, em esquema de desvio de verba e uso de notas frias, Herencia apontou em delação premiada ao Ministério Público conflitos de interesses na contratação de Proczynski, de quem Neschling também comprava espetáculos.

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Por um desses trabalhos foi pago o valor de cerca de R$ 1 milhão, mas a obra não entrou em cartaz, e o valor desembolsado não foi restituído.

Durante a sessão, foi exibido um documento, do fim do ano passado, que teria sido alterado por Neschling a fim de adicionar 8.000 euros ao valor de contratação de outro espetáculo vendido por Proczynski, "El Amor Brujo", que estava na grade de 2015 e passou para a de 2016.

O papel contém a modificação à mão com uma rubrica ao lado, que Herencia disse à CPI se parecer com a assinatura de Neschling. Segundo os membros da comissão, o documento passará por exame grafotécnico.

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Entre as perguntas apresentadas a Neschling, estiveram questionamentos específicos envolvendo a escritora Patrícia Melo, mulher e sócia do maestro.

Os vereadores queriam saber se ela exercia algum tipo de autoridade dentro do teatro, mesmo sem ser funcionária da casa.

Segundo disse Herencia à CPI, Neschling permitia a sua mulher dar voz de comando dentro do Municipal, inclusive em decisões de natureza artística.

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DEMISSÃO

Os participantes da CPI também perguntaram ao maestro qual teria sido a razão apresentada pelo Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização que administra o Municipal, para sua demissão.

A demissão de Neschling foi anunciada publicamente, mas não suas motivações. A Folha também inquiriu a assessoria do teatro e a prefeitura a respeito da demissão, mas nenhuma justificativa foi apresentada.

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Os advogados de Neschling afirmaram que as questões dirigidas ao maestro o expuseram a "vexame".

"A Poder nenhum é dado violar os direitos do cidadão, mas o que se viu no Plenário da Câmara hoje foi muito mais: constituiu-se no desrespeito aberto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Abandonou-se a civilização; caminhamos por caminhos bárbaros", disseram.

Leia a seguir a íntegra da nota enviada pelos defensores do maestro, Eduardo Pizarro Carnelós e Roberto Garcia.

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"Hoje, o Maestro John Neschling compareceu, por seus próprios meios, à CPI, para ser submetido a acareação com confesso criminoso. Não houve condução coercitiva, ao contrário do que se tem divulgado. Ao ser comunicado pelo oficial de Justiça que seu comparecimento fora determinado, o maestro dirigiu-se à Câmara, juntamente com seu advogado. A acareação, que não ocorrera anteriormente por determinação judicial, foi autorizada pelo E. Tribunal de Justiça de São Paulo, determinando-se aos vereadores, dentre outras balizas, respeito ao exercício do direito de defesa, do direito ao silêncio e a proibição de exposição do maestro a ato vexatório.

Em desrespeito aberto ao determinado pelo Tribunal de Justiça, a CPI chamou de palhaço o advogado que naquela casa exercia seu mister, achincalhando o direito de defesa; expôs John Neschling a vexame ao, percebendo que exercia o direito ao silêncio, imputar-lhe mentirosamente, entre outras inverdades, a demissão de pessoas pelo simples fato de serem portadoras de deficiência física; e lançou para a captação das câmeras o famoso e autoritário "quem cala consente" – numa democracia, quem cala exerce direito constitucional! – , transmudando em estigma o exercício do direito cujo respeito foi determinado expressamente pelo tribunal.

A Poder nenhum é dado violar os direitos do cidadão, mas o que se viu no Plenário da Câmara hoje foi muito mais: constituiu-se no desrespeito aberto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Abandonou-se a civilização; caminhamos por caminhos bárbaros.

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Aos que se regozijam com tamanho show de horrores, resta lembrar que o arbítrio que atinge desafetos pode também atingir entes queridos e as próprias pessoas que o aplaudiram no primeiro momento. O resultado do ato comprova que ele nunca se destinou a apurar fatos, mas a permitir que vereadores em campanha por suas reeleições usassem o instrumento da CPI para se promoverem, às custas dos direitos constitucionais de um homem de bem."

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