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Einstein diz exigir 'ética irrepreensível' ao explicar afastamento de médicos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O hospital Albert Einstein, na zona oeste de São Paulo, afirmou nesta quarta-feira (14) que a instituição sempre exigiu de seus profissionais uma conduta ética irrepreensível e que sempre prezou pela transparência em todas as suas relações.

"Cabe destacar que as práticas médicas na Cardiologia estão dentro de padrões estabelecidos internacionalmente. No entanto, além das práticas médicas corretas, a instituição exige e sempre exigirá conduta ética irrepreensível de todos que estejam envolvidos na prestação de serviços para a sociedade", disse, em nota, a instituição.

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O hospital disse ainda que sempre prezou pela ética e pela transparência em todas as suas relações e que a sua direção segue "rigorosos padrões de compliance para assegurar que os princípios que constituem os alicerces da instituição sejam sempre respeitados".

Como a Folha de S.Paulo revelou nesta terça (13), a instituição demitiu um integrante da cúpula do setor de cardiologia e decidiu denunciar à polícia dois de seus médicos sob suspeita de ligação "espúria" com um fornecedor do hospital. Esses médicos são suspeitos de receber pagamentos e favorecer uma empresa fornecedora de próteses cardíacas.

Os cardiologistas denunciados, Marco Antonio Perin e Fábio Sandoli de Brito Júnior, estão entre os principais nomes do país na área e comandavam juntos o Centro de Intervenção Cardiovascular do Einstein até junho passado. Perin foi demitido, e Brito Júnior, afastado do comando do centro que reúne tratamentos por meio de cateterismo para doenças cardíacas e circulatórias. Entre as intervenções no centro estão a angioplastia e o implante de stent -que, pela tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), custam a partir de R$ 5.000.

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De acordo com a polícia, fichas médicas de pacientes deverão ser solicitadas à direção do hospital já nesta quarta (14), assim como outros documentos de interesse na investigação. O número de ex-pacientes a serem ouvidos ainda não está definido porque vai depender da quantidade de intervenções realizadas pelos médicos no hospital. Segundo informações disponíveis na plataforma Lattes (banco de dados de pesquisadores), Perin trabalhava no Einstein desde 1992; Brito Júnior, desde 1997.

INVESTIGAÇÃO

As primeiras denúncias, anônimas, chegaram à direção do hospital em maio passado e já tratavam do suposto envolvimento dos médicos. Essas denúncias traziam "diversas provas sobre o envolvimento espúrio", segundo comunicado do hospital obtido pela reportagem e protocolado nesta segunda (12) na polícia paulista.

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A Polícia Civil de São Paulo vai convocar ex-pacientes do hospital Albert Einstein que tenham sido submetidos a cirurgias cardíacas sob o comando de médicos suspeitos de ligação com empresa fornecedora de próteses. Os investigadores querem saber se alguma dessas pessoas recebeu implante de prótese cardíaca sem necessidade. Um grupo de médicos do IML (Instituto Médico Legal) do Estado poderá ajudar a polícia nessa apuração.

A empresa supostamente envolvida no esquema, a CIC Cardiovascular, teve um aumento de 541% nas vendas de stents para o hospital entre 2012 e 2013 e, desde então, teve "clara preferência" dos médicos -segundo representação do Einstein à polícia.

As suspeitas contra os cardiologistas foram levantadas por investigação interna do próprio Einstein após receber denúncias de "envolvimento espúrio" entre profissionais do hospital com fornecedores. Análise de e-mails corporativos dos médicos encontrou informações sobre repasses de dinheiro na conta pessoal deles de até R$ 200 mil, além de viagens e presentes. À Folha de S.Paulo, em entrevista anterior, Brito Jr. disse não ter envolvimento com fornecedores. "Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Nunca recebi nada [de fornecedor]", afirmou. Disse ainda que explicou ao hospital seu posicionamento. "Continuo trabalhando no Einstein todos os dias. Fazendo angioplastia, cateterismo. Continuo normalmente trabalhando lá."

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Perin foi procurado novamente nesta terça, mas também não quis se pronunciar, assim como já havia ocorrido na segunda-feira (12). A CIC não se manifestou.

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