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Feira clandestina em São Paulo vende caranguejo vivo e pato depenado

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WILLIAM CORREIA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma feira clandestina, com cerca de 20 vendedores que dizem ser chineses, domina uma faixa da rua Florêncio de Abreu, no centro de São Paulo, perto da esquina com a avenida Senador Queirós e da rua 25 de Março, e deixa carnes, vegetais e até animais vivos expostos, sem higiene.

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A feira começou a funcionar há seis meses, de segunda a sexta-feira, das 14h30 às 18h, e aos sábados, das 12h às 18h. A reportagem esteve na tarde desta terça (13) por meia hora no local, e viu os produtos rodeados por moscas, em bandejas plásticas no chão ou em caixas de isopor, sob calor intenso. Nesta terça, a temperatura máxima da cidade foi de 32º C. Só descendentes de chineses fizeram compras nesse período.

São oferecidos frangos e patos apenas depenados, com o corpo todo (incluindo a cabeça) embrulhado em sacos plásticos. Há ainda caranguejos, mantidos vivos por um funcionário, que joga água neles, além de camarões, peixes, frutas e verduras.

Poucos funcionários usam luvas. A reportagem viu alguns jogando cinzas de cigarros em cima dos produtos.

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Há um padrão de preço para as carnes, com o quilo de qualquer animal custando cerca de R$ 30, mas não há balanças para pesar os produtos. Eles já vêm com seus valores escritos em etiquetas.

Em uma das barracas de carne, que também tinha cortes bovinos, havia produtos em um balde transparente. Questionadas sobre o conteúdo, as vendedoras disseram que era "carne com sabor que brasileiro não gosta, só chinês". Não informaram preço e sorriram ao serem indagadas se era algo típico da China -há países na Ásia que comem carne de cachorro.

Os vendedores mantêm seus carros perto da feira para o caso de a fiscalização aparecer. Nesta terça, a reportagem viu três PMs na calçada oposta à da feira, mas eles nada fizeram.

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A nutricionista Janaina Lira, da Estima Nutrição, afirma que um dos riscos de comprar aves, carnes e peixes em uma feira clandestina é o de consumir um produto que ficou exposto a uma temperatura acima do recomendado para conservação.

Segundo ela, outro problema é a origem dos produtos. "Nessa situação, não há nenhum controle sobre a procedência do produto", afirma, lembrando do risco de intoxicação alimentar.

A nutricionista diz ainda que o risco de comprometimento do produto não está apenas no fato de ele ser vendido irregularmente, mas em todo o processo. "A forma como o abate do animal é feito também precisa ser levada em consideração, pois nessa etapa também pode haver contaminação."

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OUTRO LADO

A Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Fernando Haddad (PT), afirmou por meio de nota que vai aumentar a fiscalização.

"A Subprefeitura Sé informa que a fiscalização na feira localizada na esquina da rua Florêncio de Abreu com a rua Senador Queirós será intensificada nos próximos dias. O local já está entre os pontos percorridos pelas equipes de apreensão e combate ao comércio irregular", diz.

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A subprefeitura afirmou ainda que, em caso de apreensões, descartará produtos perecíveis, como alimentos, por exemplo, que são vendidos sem permissão legal.

Questionada sobre a presença de policiais militares apenas olhando a feira clandestina do outro lado da rua, a Secretaria de Estado da Segurança Pública, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que eles só poderiam agir se tivessem um mandado judicial e que não cabe à corporação fazer esse tipo de fiscalização.

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