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Deveríamos ter inscrito no Oscar um filme que foi a Cannes, diz Alice Braga

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GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em bom momento na TV americana como a protagonista da série "A Rainha do Sul", a atriz Alice Braga está no Brasil nesta semana para participar do júri do Prêmio Netflix de Cinema Brasileiro, anunciado nesta terça (13).

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Irá aproveitar a estadia no país para ir ao cinema ver "Aquarius", filme protagonizado por sua tia, Sonia Braga, e dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa perdeu a vaga brasileira no Oscar para "Pequeno Segredo", escolhido na segunda (12) pelo governo brasileiro.

Sobre o assunto, disse que o cinema brasileiro precisava ter se unido em prol de "Aquarius" e "apoiar um filme que foi a Cannes". No tapete vermelho, em maio, o elenco protestou contra o impeachment de Dilma Rousseff, que havia sido afastada dias antes da cerimônia.

"Sinto que a gente precisa de unidade, de apoio interno. É muito difícil conseguir essa visibilidade. A última vez que um filme brasileiro participou de competição em Cannes foi 'Linha de Passe', do Waltinho [Walter Salles, em 2008]. Foram oito anos para a gente voltar [ao festival]. Esse foi um filme que conseguiu, abriu muitas portas", ela comentou.

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Para a atriz, o Brasil deveria seguir o modelo de países como a França, onde associações da indústria cinematográfica, e não o governo, inscreve seus concorrentes a uma vaga no Oscar.

Opinião semelhante tem o diretor César Charlone, companheiro da atriz no júri da Netflix. Integram o grupo o ator Fabrício Boliveira, os cineastas Fernando Andrade e Adriana Dutra, além do blogueiro Hugo Gloss e da youtuber Lully de Verdade.

Os jurados irão escolher um filme entre dez finalistas para ser adquirido pelo serviço de streaming e entrar em seu catálogo internacional.

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São eles: "Califórnia", de Marina Person, "A História da Eternidade", de Camilo Cavalcante, "O Último Cine Drive-In", de Iberê Carvalho, "Obra", de Gregório Graziosi, "Porque Temos Esperança", de Susanna Lira, "À Queima Roupa", de Theresa Jessouroun, "Ventos de Agosto", de Gabriel Mascaro, "My Name Is Now", de Elizabete Martins Campos, "Levante!", de Susanna Lira e Barney Lankester-Owen, e "Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois", de Petrus Cariry.

O público poderá escolher um segundo longa-metragem votando, até 4 de outubro, pelo site www.premionetflixbr.com. Em 2013, a empresa realizou a primeira edição do prêmio e selecionou a comédia romântica "Apenas o Fim".

Os populares, porém, não poderão assistir aos filmes na íntegra, apenas um trecho entre 10 e 15 minutos -os jurados receberam um link secreto com as obras completas, e enviarão seus votos à Netflix.

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RAINHA DO SUL

Alice deve volta a gravar como Teresa Mendoza, a narcotraficante glamorosa de "A Rainha do Sul", em janeiro de 2017. Exibido no Brasil pelo canal Space, o seriado deu a liderança ao canal USA entre as emissoras pagas dos Estados Unidos nas noites de quinta-feira, quando é exibido.

Diz que, como "Narcos", protagonizada pelo brasileiro Wagner Moura, a série é "a chance de projetos que são de latinos não serem só para os latinos". E chegam em um "momento muito bom, principalmente nesta época de Trumps da vida", ao "abrir portas [nos EUA] para outras culturas".

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Diante das câmeras, Alice vive uma rainha do tráfico internacional mexicana, que entra ilegalmente nos EUA. Nos bastidores, o assunto não a abandona: ela é sócia da produtora Losbragas, que roda um documentário sobre contrabando, migração ilegal e outras contravenções nas fronteiras brasileiras para a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que administra a TV Brasil.

Enquanto isso, avalia roteiros de uma série e um filme brasileiro para os próximos anos -seu último aqui foi o recém-lançado "Entre Idas e Vindas", de José Eduardo Belmonte. "Tudo o que eu mais quero é ler projetos e roteiros", ela diz.

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