Ministro de Energia vende suas ações da Shell após advertência
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Após ser aconselhado pelo Departamento Anticorrupção do governo a vender suas ações da Shell, o ministro de Energia da Argentina, Juan José Aranguren, informou que já se desfez dos papéis.
Em nota divulgada nesta terça-feira (13), a pasta comunicou que a comercialização das ações foi feita eletronicamente diante de um escrivão público e que questões relacionadas à Shell passarão a ser tomadas pelo Ministério de Produção.
Aranguren, que foi presidente da companhia no país até junho do ano passado, possuía 16 milhões de pesos (aproximadamente R$ 3,5 milhões) em papéis da empresa, de acordo com sua declaração juramentada.
No documento que pedia a venda deles, o Departamento Anticorrupção afirmava que a medida devia ser adotada "por prudência", ainda que ela não fosse uma obrigação legal do ministro.
A Justiça investiga Aranguren por suposta incompatibilidade de função. Para o órgão do governo federal, no entanto, ele não tomou nenhuma atitude que impactasse a Shell diretamente.
A equipe ministerial do presidente Mauricio Macri é conhecida por ser formada por vários executivos do setor privado.
Em protestos contra o reajuste do gás, manifestantes argentinos pediram recentemente a cabeça de Aranguren. A pressão contra ele também vem de kirchneristas, que denunciaram na Justiça o ministro por ter supostamente se beneficiado do aumento do gás -caso que está sob análise.
Além de Aranguren, Guillermo Dietrich (Transportes) é um dos mais atacados pela oposição por ser sócio de uma das maiores empresas de concessionárias do país e da Localiza, de aluguel de carros.
O Departamento Anticorrupção analisa ainda a situação de outros 34 membros do governo, principalmente devido a atividades empresariais realizadas antes de integrarem a equipe de Macri.
