Hungria deveria sair da UE, afirma chanceler de Luxemburgo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chanceler de Luxemburgo pediu, em uma entrevista publicada nesta terça-feira (13), que a Hungria seja expulsa da União Europeia devido à forma como o país do Leste Europeu trata refugiados.
"Não podemos aceitar que os valores fundamentais da União Europeia sejam maciçamente violados", afirmou Jean Asselborn ao jornal alemão "Die Welt". Ele disse que a Hungria deveria ser excluída de maneira temporária ou definitiva do bloco.
A Hungria é acusada de construir cercas para limitar a passagem de refugiados e tratá-los "pior do que animais selvagens", nas palavras de Asselborn. Também se critica o cerceamento à imprensa e a falta de independência do Judiciário.
Ao contrário da Alemanha, que tem implementado uma polícia de "portas abertas", a Hungria tem constantemente criticado a chegada de refugiados ao continente. Centenas de milhares deles viajam à Europa vindos de países prejudicados pela guerra e pela pobreza, como a Síria e o Afeganistão.
A organização Human Rights Watch também critica a Hungria, afirmando que o país não cumpre com suas obrigações diante da lei europeia e internacional. A Hungria não aceita, por exemplo, as cotas estipuladas para a distribuição de refugiados na União Europeia.
O país deve realizar em 2 de outubro um referendo sobre o tema, e o governo tem feito campanha para que a população rejeite a realocação de 1.294 refugiados ao país. Um folheto oficial afirma que a chegada de migrantes é um risco à cultura e à tradição locais.
Nesse contexto, a Hungria não seria aceita caso tentasse entrar hoje na UE, segundo afirmou o chanceler de Luxemburgo, um dos seis países que fundaram, em 1958, o bloco embrião da UE.
Asselborn pediu que as regras da união sejam flexibilizadas para facilitar a expulsão de um membro, mesmo se não houver voto unânime.
As declarações do chanceler à imprensa foram entendidas como uma crítica aberta ao premiê húngaro, Viktor Orbán, que tem sido contestado nos últimos meses por outros líderes europeus.
Reagindo à entrevista de Asselborn, a Alemanha defendeu a permanência da Hungria no bloco. "Eu posso entender que alguns na Europa estão ficando impacientes", afirmou o chanceler Frank-Walter Steinmeier. "Mas não é minha abordagem pessoal indicar a porta a um país-membro europeu."
