Após críticas por tarifas, ministro de Energia é advertido por governo Macri
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Ministro mais criticado pelos argentinos, sobretudo por causa do reajuste da tarifa de gás -que chegou a 1.000% e acabou sendo derrubado pela Corte Suprema-, Juan José Aranguren (Energia) foi também censurado por um órgão do próprio governo de Mauricio Macri.
O Departamento Anticorrupção, ligado ao Ministério da Justiça e liderado pela macrista Laura Alonso, recomendou que Aranguren venda suas ações da Shell, empresa que presidiu no país até junho do ano passado. O ministro possui 16 milhões de pesos (cerca de R$ 3,5 milhões) em papéis da companhia.
Na Justiça, Aranguren é investigado por incompatibilidade de função. Para o Departamento Anticorrupção, por enquanto, ele não tomou nenhuma atitude que afetasse a Shell diretamente.
O órgão afirma, em documento ao qual o jornal "La Nación" teve acesso, que "por prudência" Aranguren deve se desfazer de sua participação acionária ou adotar alguma medida patrimonial, como colocar seus bens para terceiros administrarem.
De acordo com o documento, o ministro também não interveio na licitação realizada em abril pela Cammesa, empresa mista que administra o mercado atacadista de energia. No processo, a Shell venceu a contratação de sete, de um total de oito, pedidos de navios com diesel.
O senador Federico Pinedo, do PRO (mesmo partido do presidente), disse que Aranguren deverá seguir a recomendação de venda dos papéis da Shell ou deixar o governo.
A diretora do Departamento Anticorrupção, Laura Alonso, afirmou à imprensa local que todos os funcionários do governo deveriam ler a decisão do órgão.
A equipe ministerial de Macri é conhecida por ser formada por vários executivos do setor privado. Além de Aranguren, Guillermo Dietrich (Transportes) é um dos mais atacados pela oposição por ser sócio de uma das maiores empresas de concessionários do país e da Localiza, de aluguel de carros.
