Sede do partido de Erdogan é alvo de carro-bomba no sudeste da Turquia
ÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um carro-bomba explodiu próximo ao escritório do partido do presidente turco Recep Tayyip Erdogan na cidade de Van, no sudeste do país, nesta segunda (12). Não houve mortos, e 27 pessoas ficaram feridas.
O ataque, que Ancara suspeita ter sido realizado pelo grupo terrorista PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), acontece um dia depois de 24 prefeitos de municípios governados pelo partido pró-curdo HDP (Partido Democrático dos Povos) serem removidos dos cargos.
Erdogan acusa os prefeitos removidos de enviarem apoio a militantes curdos. Quatro cidades na província de Van foram afetadas pelas mudanças.
"Foi um passo que tomamos tarde demais", disse Erdogan nesta segunda. "Eles enviaram apoio às montanhas, mas tudo foi descoberto. Nosso governo tomou essa decisão baseado nessas evidências", afirmou o presidente, se referindo às bases dos militantes curdos nas montanhas do sudeste turco.
Os municípios em questão eram governados pelo HDP, partido com a terceira maior bancada no Parlamento turco. A sigla alega sofrer um "golpe administrativo" e afirma que as remoções foram ilegais.
A Embaixada dos Estados Unidos na Turquia informou neste domingo (11) que, enquanto apoia a Turquia em seu direito de combater o terrorismo, espera que as mudanças nos governos locais sejam temporárias e que logo os cidadãos consigam novamente escolher seus representantes.
EXPURGO
A Turquia tem promovido durante as últimas semanas um extenso expurgo em setores como o Exército, o Judiciário e a imprensa, motivado por uma tentativa de golpe de Estado frustrada em 15 de julho, em que mais de 240 pessoas foram mortas.
Segundo os números oficiais, já houve 4.451 afastamentos de militares, incluindo 151 generais. Em 17 de agosto, o governo estimava mais de 40 mil presos, dos quais 20 mil permaneciam detidos.
Há aproximadamente 80 mil funcionários públicos suspensos de suas funções.
Ancara culpa o clérigo Fetullah Gülen pela tentativa de golpe. Gülen, antigo rival de Erdogan e hoje exilado nos Estados Unidos, nega participação. A Turquia pede sua extradição.
