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Arte representa queda e reconstrução de torres no Memorial 11/9

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - É possível fazer arte após uma atrocidade sem precedentes? A pergunta que tirou o sono de muitos artistas assombrados pelo Holocausto e outros horrores da Segunda Guerra também afligiu o Blue Man Group pós-11 de setembro de 2001.

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Poucos meses depois da derrubada das Torres Gêmeas, o trio -- famoso por se apresentar todo pintado de azul, em números cômicos -- foi procurado pelo FBI.

A polícia federal americana desconfiava que um dos terroristas havia ido a uma apresentação deles na véspera do 11/9.

A informação não se confirmou, mas a essa altura a rotina do grupo já fora irremediavelmente afetada pelo dia em que 2.977 pessoas morreram, em ataques orquestrados contra o World Trade Center, o Pentágono e outro avião, que possivelmente mirava a Casa Branca e foi derrubado por passageiros antes, na Pensilvânia.

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Famoso por se apresentar todo pintado de azul, o trio cancelou shows na Nova York natal por um tempo. Os três estavam na cidade no dia do atentado.

O "blue man" Phil Stanton conta à Folha que, no dia, estava com o tornozelo machucado e assistiu ao colapso das torres da janela de seu apartamento na Canal Street, a poucos quarteirões.

Para "lidar com o inimaginável", diz, eles compuseram "Exhibit 13". Na música, vozes recitam trechos de documentos que voaram do World Trade Center e foram parar no Brooklyn nova-iorquino -- notas corporativas em várias línguas e páginas de calendário, por exemplo.

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Transformada em vídeo, a obra integra a exposição "Rendering the Unthinkable: Artists Respond to 9/11" (representando o inimaginável: artistas respondem ao 11/9).

A mostra abre ao público nesta segunda-feira (12), no Memorial 11/9, local onde sete novos prédios estão sendo erguidos para recriar o complexo World Trade Center.

"A gente se sentiu perdido, física e conceitualmente. Acho que a ideia de fazer uma canção foi uma forma de superar", afirma Chris Wink, cofundador do Blue Man Group.

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"Eu não conseguia apenas esquecer", afirma um dos 13 nomes expostos, Gustavo Bonevardi, em frase destacada pela equipe do Memorial.

"No momento em que centenas de milhares, se não milhões de documentos, voaram pelo Baixo Manhattan [onde ficavam as torres]... Foi um lindo e silencioso contraponto aos eventos do dia. Pilhas de papel que, como tantas memórias e vidas, foram libertos e estavam flutuando nos ares."

Filho de argentino, ele também testemunhou a queda dos edifícios pela janela e, como o Blue Man Group, inspirou-se na papelada para fazer arte. O painel "Falling" (caindo) é composto por 16 ilustrações de folhas em branco despencando dos céus.

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Outro residente de Nova York, Todd Stone pintou e fotografou o 11 de setembro de sua laje e, em seguida, foi retirado de casa -- também morava próximo do World Trade Center.

Na série "Witness" (testemunha), ele representa da queda à reconstrução do World Trade Center em vários quadros. A tinta usou como base a poeira que invadiu seu estúdio depois do ataque.

"Esta é minha elegia para o que vi no dia em que o mundo mudou. Disse para mim mesmo: 'Vou fazer uma canção para as pessoas que morreram."

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