Hillary Clinton passa mal e deixa cerimônia em memória ao 11/9
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, passou mal e deixou às pressas a cerimônia que lembrou os 15 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001, no World Trade Center.
Por volta das 9h30 (10h30 do Brasil), ela saiu da visão do público, uma hora após chegar ao local -- o presidenciável republicano, Donald Trump, também passou pelo evento.
Nick Merrill, o porta-voz de sua campanha, afirmou que a ex-secretária de Estado se sentia "muito melhor". Ela foi levada para o apartamento da filha, Chelsea Clinton, em Nova York.
O mal estar coincide com suspeitas -- alimentadas sobretudo por partidários de Trump -- de que a saúde de Hillary está debilitada.
Em agosto, o republicano já havia dito que a adversária não tem "vigor físico" para lidar com a facção terrorista Estado Islâmico. A acusação recupera antiga polêmica de que Hillary não teria se recuperado de um coágulo na cabeça, consequência de uma concussão sofrida em 2012.
Radialistas e blogueiros conservadores estão às polvorosas com essa teoria, mostrando vídeos em que ela tropeça na escada do avião ou balança a cabeça de um jeito peculiar, para frente e para trás repetidas vezes enquanto ri numa entrevista, como se isso fosse sinal de alguma debilidade física.
Também são frequentes acessos de tosse, que Hillary associa a alergias -- ela já chegou a brincar que era "alérgica a Trump". A despeito das conspirações, o dossiê médico da candidata revela um "excelente estado de saúde".
Em agosto, ela apaziguou desconfianças sobre sua capacidade física de ser presidente dos EUA no programa do apresentador Jimmy Kimmel.
"Em 2015, [o tabloide pró-Trump] 'National Inquirer] disse que eu estaria morta em seis meses. Não sei por que estão dizendo isso. Acho que, de alguma forma, é parte de uma estratégia maluca -- apenas diga todas estas coisas loucas, e talvez algumas pessoas acreditem em você."
A saúde dos presidenciáveis já foi usada como arma de campanha antes. O republicano Ronald Reagan disse que o rival democrata, Michael Dukakis, era um "inválido".
O próprio Reagan, que seria eleito o presidente mais velho dos EUA em 1980, aos 69 anos, virou alvo de um cacique democrata ao tentar a reeleição quatro anos depois ("bom, ao menos ele não babou").
Em 2008, simpatizantes do democrata Barack Obama levantaram suspeita de que o republicano John McCain não superara um melanoma. O hoje senador do Arizona abriu seu histórico médico na época para provar que estava livre do tumor na pele.
