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Cruz retira entrave, e Senado dos EUA aprova novo embaixador para o Brasil

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MARCELO NINIO

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após a remoção do entrave que impedia a votação no Senado americano, Peter McKinley foi aprovado como novo embaixador dos EUA no Brasil.

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Sete semanas após bloquear a nomeação, o senador e ex-presidenciável republicano Ted Cruz retirou o bloqueio, e McKinley foi aprovado por 92 votos a 0, com 8 ausências.

Cruz fez o anúncio na terça (6), quando o Congresso voltou do recesso parlamentar de verão. Fontes disseram que o veto a McKinley foi tema de negociações durante o recesso, mas não souberam especificar se Cruz obteve alguma concessão em troca do desbloqueio.

O senador do Texas, que chegou em segundo lugar na disputa pela candidatura presidencial republicana, vencida por Donald Trump, impôs o bloqueio de última hora em julho, frustrando os esforços para que a nomeação fosse votada antes do recesso.

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Antes, McKinley havia sido ratificado por unanimidade na Comissão de Relações Exteriores do Senado, onde passara por sabatina. Dos sete novos embaixadores nomeados pelo presidente Barack Obama e sabatinados, só McKinley não foi aprovado no Senado.

Para barrar a aprovação, o senador recorreu a um mecanismo parlamentar conhecido como "hold" (segurar). Pelas regras do Senado, não há obrigação de explicar o gesto. Como é preciso unanimidade para prosseguir a votação, um único senador é suficiente para segurá-la.

O recurso não é incomum no Senado, onde os parlamentares usam seu poder de veto para negociar projetos ou forçar o partido opositor a mudar os seus. No ano passado, o próprio Cruz "segurou" por sete meses a aprovação dos embaixadores nomeados por Obama para Suécia e Noruega para protestar contra o acordo nuclear assinado com o Irã por EUA e um grupo de potências mundiais.

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Na época, Cruz não saiu de mãos vazias. Ele retirou o veto depois que o Senado aprovou uma lei proposta por ele para batizar uma praça em frente à embaixada da China em Washington com o nome do ativista de direitos humanos Liu Xiaobo, numa provocação ao governo chinês. Nobel da Paz em 2010, Liu está preso na China, condenado a 11 anos por subversão.

Em 2009 outro embaixador nomeado para o Brasil, Thomas Shannon, também teve a aprovação adiada pelo veto de um senador republicano, George LeMieux, da Flórida. LeMieux considerava Shannon progressista demais em relação a Cuba e só aceitou retirar o veto depois de receber garantias, segundo ele, de que o governo continuaria apoiando a oposição ao regime castrista.

Diplomata de carreira, McKinley servia como embaixador dos EUA no Afeganistão antes de ser nomeado para o Brasil. Elogiado no Departamento de Estado como um dos mais qualificados diplomatas americanos, tem longa ligação com a América do Sul, incluindo o Brasil. Nascido na Venezuela, passou parte da adolescência no Brasil e fala português.

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