Oposição síria apresenta plano de paz em Londres e exclui Assad de transição
DIOGO BERCITO
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - Uma aliança de grupos moderados de oposição detalhou nesta quarta-feira (7), em Londres, um plano para a transição democrática na Síria.
A proposta teve o apoio de Boris Johnson, chanceler britânico. Também compareceram representantes da União Europeia, da Turquia, dos EUA e de países do Golfo.
O plano traça um período de negociação de seis meses, levando a uma entidade governamental de transição responsável por supervisionar o Estado. Em 18 meses, haveria eleições parlamentares, presidenciais e municipais.
O ditador Bashar al Assad e seus aliados não seriam incluídos na transição.
O novo governo não discriminaria de acordo com seita ou etnia, e mulheres teriam seus direitos individuais garantidos, de acordo com o plano. Haveria uma cota de 30% reservada a elas em instituições estatais.
A proposta de 25 páginas foi apresentada pelo Alto Comitê de Negociação (HNC, na sigla em inglês), que reúne mais de 30 facções políticas e militares.
"Precisamos de uma solução duradoura para o pesadelo sírio, e não cessar-fogos locais ou interrupções temporárias que possam ser exploradas pelo regime e por seu aliado russo", afirmou Salem al-Meslet, porta-voz do HNC.
Johnson, ex-prefeito de Londres, havia anteriormente demonstrado ceticismo em relação à oposição síria. Ele afirmava haver interesse em alinhar-se ao ditador Assad para, assim, derrotar a facção terrorista Estado Islâmico.
Seu apoio à declaração no HNC mostra uma mudança de posição. Ele também pediu que a Rússia, mais importante aliada de Assad, ajude a depor o regime sírio.
Em um artigo publicado nesta quarta no jornal "The Times", Johnson avalia o plano como "democrático e pluralista" e afirma que o HNC "assume que você não pode simplesmente varrer todas as estruturas existentes do Estado. Esse foi um erro no Iraque, e que não será repetido."
Em meio a um violento conflito, e sem o apoio da Rússia, é improvável que a proposta seja adotada. Ademais, nem todas as forças na Síria são representadas pelo HNC.
Mas é esperado que o plano de transição apresentado em Londres ajude a convencer líderes internacionais, como a candidata democrata Hillary Clinton, a insistir em uma solução política para a guerra civil síria. De acordo com estimativas, morreram 500 mil pessoas no país desde março de 2011.
O plano apresentado pelo HNC inclui também propostas para o retorno de refugiados.
