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No Rio, Zé Ramalho lota Municipal em celebração de 40 anos de carreira

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Lotar o Teatro Municipal do Rio, com seus cerca de 2.300 lugares, numa noite de segunda-feira e ingressos começando em R$ 120, não é tarefa ordinária. Mas os 40 anos de carreira de Zé Ramalho, mote para o show desta segunda (5), tampouco foram ordinários.

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"Carreira longa, carreira difícil, carreira feliz", lembrou o artista, em determinado momento da noite. O repertório só de sucessos fez um bom panorama de sua trajetória.

Ali estiveram o Zé messiânico, o romântico, o apocalíptico, o garoto de programa, o representante dos gêneros nordestinos e o autor de trilhas de novela. Também houve o reconhecimento a duas de suas principais influências, Raul Seixas e Luiz Gonzaga.

Vestido todo de preto, como uma versão cabloca de Johnny Cash, Ramalho abriu o show com interpretação grave do clássico "O que É, o que É?", de Gonzaguinha, transformando o samba original em uma balada folk com tons soturnos.

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Acompanhado do quinteto Banda Z -bateria, baixo, teclados, sopros e percussão-, foi pareando os sucessos por afinidade temática e melódica.

Assim, por exemplo, "Chão de Giz" e "Garoto de Aluguel" vieram em sequência, como as duas de Raul ("Gita" e "Medo da Chuva"), as místicas "Avohai" e "Vila do Sossego" e os baiões "A Terceira Lâmina" e "Banquete de Signos".

Esta última dobradinha, um dos pontos altos do show, destacou a participação da banda, notadamente dos sopros e da zabumba. "Esse é o forró filosófico no grande circo do baião místico. Esse é o nordeste passando", disse o cantor, à guisa de apresentação para "A Terceira Lâmina".

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Outros momentos de notável participação da banda foram a introdução de "Vila do Sossego", com contrabaixo marcante, e a da carnavalesca "Frevo Mulher", que citação de "Beat It" (Michael Jackson).

Como tem sido praxe em shows no Rio, seja em lugares mais alternativos como o Circo Voador, seja em casas mais elitistas como o Metropolitan ou o Teatro Municipal, gritos de "fora, Temer" ecoaram ao longo da apresentação.

Na noite de segunda, o ponto alto do protesto foi logo após a execução de "Admirável Gado Novo". Zé Ramalho, no entanto, não reagiu em nenhum momento.

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Se abriu sua apresentação com o filho em marcha lenta, Ramalho fechou com o pai em ritmo acelerado: "Vida do Viajante", clássico de Gonzagão sobre a rotina itinerante de quem escolhe a vida dos palcos, foi a conclusão perfeita para uma noite de comemoração de 40 anos de uma carreira "longa, difícil, feliz".

O cantor se apresenta nesta terça (6), na Estância Alto da Serra, em São Paulo, e volta à capital paulista em 5 de novembro, para show no Tom Brasil.

Repertório Zé Ramalho

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"O que É, o que É?"

"Galope Rasante"

"Kryptônia"

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"Beira-Mar"

"Entre a Serpente e a Estrela"

"Táxi Lunar"

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"A Terceira Lâmina"

"Banquete de Signos"

"Eternas Ondas"

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"Avohai"

"Vila do Sossego"

"Chão de Giz"

"Garoto de Aluguel"

"Admirável Gado Novo"

"Gita"

"Medo da Chuva"

"Frevo Mulher"

"Sinônimos"

"Vida do Viajante"

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