Hillary deve mostrar que merece voto negro, diz rapper que apoiou Obama
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Quando os EUA elegeram seu primeiro presidente negro, em 2008, o rapper Sean "P. Diddy" Combs comemorava 39 anos. E não se segurou.
"Caí no choro", disse à revista "People". "Foi uma coisa linda. Apenas agradeci a Deus por atender minhas preces."
Oito anos depois, o ceticismo tomou conta do artista. "Acho que fomos um pouco enganados", disse no domingo (4) ao reverendo Al Sharpton, que tem um programa na MSNBC.
Ele também deu um recado à presidenciável democrata, Hillary Clinton: você vai ter de mostrar que merece o voto negro. "Espero que ela comece a falar diretamente com a comunidade. Realmente me fazer sentir, sabe, quase magoado que nossas questões não estão sendo reconhecidas."
Historicamente inclinados ao partido de Hillary e Obama, os afroamericanos compõem 12% do eleitorado. O republicano Donald Trump tinha 1% da preferência desse grupo em julho, abaixo da média já anêmica de sua legenda entre negros.
Ainda não chegou aos dois dígitos, mas sua performance vem melhorando. Trump basicamente só se dirigia a audiências quase 100% brancas —chegou a gritar "olha ali o meu afroamericano!" ao avistar um único negro em comício três meses atrás.
Nos últimos dias, a postura mudou. O empresário visitou uma igreja da comunidade em Detroit ao lado do neurocirurgião Ben Carson, único negro entre os pré-candidatos republicanos e democratas. Antes, em Michigan, questionou se os democratas tinham feito o suficiente por negros ("vocês vivem na pobreza, o que diabos têm a perder?").
O estereótipo "negro pobre" irritou alguns. Combs, que nasceu num conjunto habitacional do Harlem nova-iorquino e perdeu o pai quando criança, há anos lidera o ranking da revista "Forbes" com os artistas mais ricos do hip-hop. Sua fortuna é avaliada em US$ 750 milhões (R$ 2,46 bilhão).
Diddy, que no passado aderiu ao movimento "vote ou morra" para incentivar negros a irem às urnas num país onde o voto é facultativo, se declara um eleitor independente. Sempre, contudo, militou ao lado de democratas, e nada indica que vá amolecer com a oratória de Trump.
Obama, afirma, "fez um excelente trabalho" apesar de tudo. O momento, contudo, "é de aumentar a temperatura, porque o voto negro vai decidir quem é o próximo presidente dos EUA".
"Sinto como se tivéssemos colocado Obama na Casa Branca. Quando olho para trás, só queria que mais tivesse sido feito pela minha gente, porque este é o nome do nome. É política."
Sua orientação para afroamericanos: "Temos de segurar nosso voto. Não se pacifique, realmente revolucione o jogo. Faça com que eles venham atrás do nosso voto. É uma estratégia diferente, mas acho que precisamos segurar nosso voto porque não acredito em nenhum deles."
