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Madre Teresa de Calcutá é declarada santa no Vaticano diante de multidão

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Madre Teresa, freira celebrada por sua obra de caridade com órfãos e leprosos em favelas da Índia, foi canonizada durante a manhã deste domingo (4) no Vaticano e se tornou a mais nova santa da Igreja Católica.

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A cerimônia, celebrada pelo papa Francisco, foi acompanhada por uma multidão de 120 mil pessoas diante da Basílica de São Pedro, segundo estimativas do Vaticano.

A igreja define como santo aquele que foi sagrado o suficiente durante a vida para que possa viver no céu após a morte e consiga concretizar milagres -à madre foram atribuídos dois: a cura de uma mulher indiana com tumor estomacal, em 2003, e de um brasileiro em estado terminal e em coma devido a um câncer no cérebro, no ano passado.

O brasileiro participou da cerimônia ao lado da mulher e recebeu bênção do papa.

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Debaixo de um enorme retrato da freira em sua típica vestimenta branca e azul, Francisco afirmou que ela era um símbolo da misericórdia divina e responsabilizou as potências mundiais pelos "crimes de pobreza que criaram".

"Para a Madre Teresa, misericórdia era o sal que dava sabor ao seu trabalho, era a luz que iluminava a escuridão de muitos que não mais tinham lágrimas para derramar diante de sua pobreza e sofrimento", disse o pontífice.

"Tudo que ela fez deu um exemplo ao mundo todo", disse o estudante italiano Massimiliano D'Aniello, 17, em meio ao público que acompanhou a cerimônia. "Ela mostrou que não podemos fazer tudo, mas os pequenos gestos feitos com muito amor são o que importa."

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SANTA VIVA

A cerimônia, transmitida ao vivo pela Santa Sé, oficializa o longo reconhecimento por seu trabalho. Já em 1975 a revista "Time" havia celebrado Madre Teresa como uma das "santas vivas" do mundo.

Conhecida pela humildade, mesmo quando já era venerada ao redor do mundo, ela recebeu o Nobel da Paz em 1979, sobre o qual comentou: "Eu não mereço". A fala contrasta com a do papa Francisco, que afirmou sobre a canonização: "Ela merece".

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Foram distribuídos 100 mil ingressos para a cerimônia. Ao redor de 1.500 moradores de rua foram levados a Roma vindos do restante do país e dados assentos de honra.

Apesar da multidão presente, o público não chegou à metade dos 300 mil que acompanharam a beatificação, passo anterior à canonização, de Madre Teresa, em 2003. Parte se atribui ao temor diante da onda de ataques terroristas na Europa, que levou a um esquema de segurança reforçado com 3.000 agentes ao redor do Vaticano e uma zona de exclusão aérea.

Antes da cerimônia, Narendra Modi, premiê indiano, afirmou que Madre Teresa dedicou toda sua vida para servir aos pobres na Índia. "Quando tal pessoa é canonizada, é natural que indianos se sintam orgulhosos."

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BIOGRAFIA

Madre Teresa nasceu em em 1910 em Skopje, outrora parte do Império Otomano e hoje capital da Macedônia, onde haverá celebrações durante uma semana. De pais albaneses, ela chamava-se Agnes Gonxhe Bojaxhiu.

Religiosa, ela tornou-se freira aos 16 anos, e recebeu mais tarde o nome de Teresa. Em 1929, mudou-se para Calcutá e, 15 anos depois, tornou-se diretora de um convento.

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Em 1946 ela fundo a congregação Missionárias da Caridade, onde passou a ser chamada de "Madre". Em 1951, recebeu a cidadania indiana. Ela trabalhou ali por décadas. As missionárias abriram casas em países como a Venezuela, a Itália, os EUA e a então União Soviética.

Ela morreu em 1997 de um ataque cardíaco, em Calcutá.

CANONIZAÇÃO

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A praxe pede que se esperem cinco anos após a morte antes de iniciar o processo de beatificação. O papa João Paulo 2º -ele próprio um santo- apressou os procedimentos, e só esperou dois. A velocidade do processo é um dos motivos de críticas à canonização da mais nova santa da Igreja Católica.

Seu primeiro milagre foi reconhecido em 2002. Uma mulher indiana, Monica Bersa, teria se curado de um tumor no estômago após rezar a Madre Teresa em 1998, um ano depois da morte da freira. Ela foi beatificada em 2003 por essa sua intervenção.

O segundo milagre, que abriu caminho para a sua canonização, seria a cura de um brasileiro, Marcilio Andrino, com severa infecção cerebral, em 2008. Sua família rezara a Madre Teresa. Esse milagre foi reconhecido pelo papa Francisco.

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A congregação criada por Madre Teresa congrega mais de 5.800 pessoas em 139 países.

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