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Morre aos 78 anos Islam Karimov, ditador do Uzbequistão desde 1989

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo do Uzbequistão informou nesta sexta-feira (2) que o ditador Islam Karimov, 78, morreu após sofrer um infarto. O anúncio veio depois de dias de incerteza quanto ao estado de saúde de Karimov, que estava "gravemente doente".

Karimov, no poder desde 1989, via a si mesmo como um protetor do povo uzbeque contra a ameaça do fundamentalismo islâmico -90% dos 32 milhões de uzbeques se declaram muçulmanos. Seus críticos, porém, o viam como um ditador brutal que se utilizou da tortura para permanecer no cargo.

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Nascido em 30 de janeiro de 1938, Karimov cresceu em um orfanato estatal e logo ascendeu entre os quadros do Partido Comunista da União Soviética, gigante comunista que reunia 15 repúblicas, entre elas o Uzbequistão.

Ele conduziu o país da Ásia Central à independência depois do esfacelamento da URSS, em 1991. Primeiro e único presidente do país até hoje, Karimov não admitiu oposição durante seus 27 anos no poder, período em que o Uzbequistão se tornou um dos países mais autoritários e isolados do mundo.

Depois da independência, a economia continuou fortemente regulada pelo Estado, apesar da pressão do FMI (Fundo Monetário Internacional) por reformas.

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A imprensa local também foi mantida sob censura durante a era Karimov, que baniu veículos estrangeiros, como a rede britânica BBC, de operar no país.

Karimov usou do medo do radicalismo islâmico para endurecer o controle sobre a população. "Essas pessoas [extremistas] devem ser baleadas na cabeça. Se necessário, se faltar determinação a vocês, eu mesmo atirarei neles", disse Karimov, em um discurso no Parlamento, em 1996.

Em maio de 2005, o ditador reprimiu violentamente uma revolta contra o regime na cidade de Andizhan. Centenas de civis foram mortos, de acordo com organizações internacionais de direitos humanos.

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O massacre levou a União Europeia e os Estados Unidos a cortarem relações diplomáticas com o Uzbequistão à época. Nos últimos anos, o país voltou a se aproximar de Washington, se apresentando como rota de transporte de mercadorias americanas para o vizinho Afeganistão.

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