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Espanha prolonga impasse ao vetar nova tentativa de formar governo

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O governo proposto por Mariano Rajoy, premiê em exercício, não foi aprovado nesta quarta-feira (31) no Congresso espanhol. Houve 170 votos a favor e 180 contra, sem abstenções. O fracasso já era esperado, e leva agora a novas votações na sexta (2).

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Está previsto que o voto no fim da semana não tenha, mais uma vez, resultados. Isso significa que a Espanha permanecerá em seu impasse político, correndo o risco de realizar a terceira eleição no período de um ano, no final de dezembro.

Espanhóis foram às urnas em dezembro de 2015 e em junho deste ano. Em ambos os pleitos, o PP (Partido Popular, conservador) de Rajoy venceu. Essa sigla, no entanto, não conseguiu reunir os 176 deputados necessários para formar o novo governo. O prazo para realizar a investidura é 31 de outubro.

O complicado cenário é, em parte, resultado de um novo contexto político. Em eleições anteriores, eleitores se dividiam entre o PP e seu rival, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).

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Em dezembro de 2015, porém, duas novas siglas obtiveram bons resultados: o Podemos, de esquerda, e o Cidadãos, de centro-direita. Com os votos pulverizados, ficou mais difícil formar um governo. O impasse é complicado pela má articulação entre os partidos, incapazes de aliar-se e somar cadeiras.

A proposta levada por Rajoy ao Congresso na quarta-feira incluía seus 137 assentos somados aos 32 dos Cidadãos, além de um da Coalizão Canária. Esse total, de 170, não foi o suficiente. Em discurso, o líder conservador apresentou-se como a única alternativa viável, moderada e séria à Espanha.

Rajoy poderia formar um governo caso o PSOE, liderado por Pedro Sánchez, se abstivesse na votação. Sánchez, no entanto, afirmou ao Congresso que "a Espanha precisa de um governo, mas não de um governo ruim".

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O líder socialista criticou, ainda, o que considera como "maniqueísmo" de Rajoy, "ou você ou o caos". Sánchez, porém, não tem também o apoio necessário para eleger-se, e pode ser visto pelos eleitores como o responsável pelo país voltar às urnas. A princípio as eleições estão previstas para 25 de dezembro, mas podem ser antecipadas para o dia 18.

Já há pressões dentro do PSOE para que o partido reavalie sua negativa a Rajoy. Fala-se, há algum tempo, em substituir Sánchez como líder para avançar o diálogo. Também se propõe que outro político passe a liderar o PP, diante do desgaste de Rajoy.

Enquanto não forma um governo, a Espanha segue com um premiê em exercício, com poderes limitados. O país não pode, por exemplo, aprovar o orçamento de 2017 ou apresentar projetos de leis. Investimentos em setores públicos estão paralisados. Apesar disso, a economia prospera, com previsão de crescer 2,9% neste ano.

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