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Ingra Lyberato deixa comissão do Oscar após polêmica com 'Aquarius'

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GUILHERME GENESTRETI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A atriz Ingra Lyberato deixou oficialmente a comissão que vai definir o filme brasileiro do Oscar, composta por nove integrantes escolhidos pela Secretaria do Audiovisual, braço do Ministério da Cultura.

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A decisão foi publicada pela atriz em seu perfil de Facebook na manhã desta sexta (26), e é divulgada horas depois de outra postagem, em que Lyberato fez um desabafo sobre a polêmica envolvendo o filme "Aquarius".

No texto mais recente, ela diz que a decisão foi tomada depois que alguns "filmes preciosos" foram retirados da disputa por seus diretores. Ela se refere à controvérsia em torno do comitê, instituído pela Secretaria do Audiovisual, que é alvo de grita no meio cinematográfico. Isso porque um dos membros, o crítico Marcos Petrucelli, é um notório opositor ao diretor Kleber Mendonça Filho, de "Aquarius".

Durante o festival francês, o cineasta e a equipe de "Aquarius" empunharam cartazes contra o impeachment de Dilma Rousseff com os seguintes dizeres: "Um golpe está acontecendo no Brasil".

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Petrucelli escreveu que "vergonha é o mínimo que se pode dizer" do ato. Quando o crítico foi nomeado para a comissão do Oscar, três meses depois, o meio cinematográfico reagiu com enormes críticas.

Gabriel Mascaro ("Boi Neon") e Anna Muylaert ("Mãe Só Há Uma") desistiram de inscrever seus filmes para análise da comissão, e Guilherme Fiúza Zenha, um dos integrantes, pediu seu desligamento por "motivos pessoais".

A atriz escreve ainda que está "diante da minha classe insatisfeita e clamando por justiça", em referência ao afastamento da Dilma Rousseff e a instalação do governo interino. Na nota, ela diz ainda: "Sou contra o golpe que impediu e retirou o governo eleito democraticamente de suas funções".

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Ela aponta que, "como a comissão tem sua legitimidade questionada por grande parte de nossa classe, me retiro em respeito a minha própria tribo".

AMBIENTE DE PRESSÃO'

O Ministério da Cultura divulgou nota na tarde de quinta (25), reiterando sua "confiança na comissão de seleção do filme" e na "isenção do processo de escolha".

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"A comissão é formada por nomes de reconhecida reputação e conhecimento técnico, que passaram, inclusive, pelo crivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Destaca-se que a seleção do filme representante será feita à margem de critérios de natureza política, sendo inócua a criação de ambiente de pressão ou constrangimento com vistas a favorecer ou prejudicar qualquer produção. Passada a etapa de seleção, o Ministério estará engajado na torcida para que nosso filme figure entre os cinco finalistas."

Já Petrucelli afirma que não tem "nada contra o filme", mas contra as posições políticas do diretor. À reportagem, ele disse que não queria comentar a polêmica, mas lamentou que Mascaro e Muylaert tenham deixado de inscrever seus longas. "Perderam uma grande oportunidade".

Outros membros da comissão, composta por nove pessoas, disseram que a escolha não será "partidarizada".

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CONTINUAM NA DISPUTA

Pelo menos quatro outras produções continuam no páreo, além de "Aquarius": "Nise", de Roberto Berliner, "Tudo que Aprendemos Juntos", de Sérgio Machado, "Mais Forte que o Mundo", de Afonso Poyart, e "Pequeno Segredo", de David Schurmann.

"Sou solidário a Kleber, temos as mesmas posições políticas", diz Berliner. "Mas em princípio estou mantendo a inscrição. Acho que nós cineastas deveríamos nos unir contra a nomeação [de Petrucelli], e não retirar os filmes."

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Poyart e Schurmann afirmaram que confiam em seus respectivos longas. Caio Gullane, produtor de "Mais Forte que o Mundo", também diz que irá se manter no certame.

Guilherme Fontes diz que também pretende inscrever "Chatô".

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