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Proibição do burquíni não pode levar a estigmatização, diz ministro francês

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nesta quarta-feira (24), o líder de um grupo de muçulmanos na França expressou temor de que a proibição do uso do burquíni possa levar a um aprofundamento da estigmatização dos seguidores do islã.

Anouar Kbibech, presidente do Conselho Francês da Fé Muçulmana, afirmou, após reunião com o ministro do Interior do país, Bernard Cazeneuve, que há uma preocupação crescente entre os muçulmanos franceses sobre a banimento.

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"Frente a esta situação difícil e crítica que vive a França após os trágicos atentados que afetaram profundamente o país, o conselho pede sensatez e responsabilidade de todos. Necessitamos atos de apaziguamento e tolerância", disse Kbibech.

Municípios costeiros, como Cannes e Nice, proibiram recentemente o uso do burquíni, traje que une em seu nome o biquíni e a burca. A veste, porém, não esconde a face da mulher e é hoje associada, na França, ao islã radical e à submissão da mulher.

O governo do presidente François Hollande tem apoiado as decisões dos prefeitos, argumentando que o burquíni viola as leis e o secularismo. Já Cazeneuve afirmou que o banimento do traje não pode levar a uma estigmatização nem fazer com que exista um choque entre comunidades do país.

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O debate sobre o burquíni é particularmente sensível na França devido aos ataques terroristas realizados por militantes islâmicos, incluindo os atentados em Paris que mataram 130 pessoas em novembro de 2015. Em Nice, um dos municípios que aderiu ao banimento, um homem atropelou deliberadamente centenas de pessoas e matou 86 delas em julho deste ano.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy disse que o burquíni é uma "provocação" e que se uso expressa apoio ao islã radical. Uma das figuras mais importantes da oposição, Sarkozy anunciou nesta semana que vai concorrer à Presidência outra vez. Antes, no entanto, precisa vencer as eleições primárias dentro de seu partido, Os Republicanos, de centro-direita.

Caso seja eleito, Sarkozy prometeu banir todo símbolo religioso nas universidades francesas. A expectativa é que a plataforma de sua campanha seja baseada em imigração e questões que envolvem segurança.

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VÉU

Nesta quarta, fotos nas quais uma mulher tira uma túnica a pedido de ao menos quatro policiais geraram indignação nas redes sociais. As imagens da abordagem, em Nice, provocaram uma chuva de reações com denúncias de "humilhação" e de uma "caçada aos véus".

Pergunta do dia: "Quantos policiais armados são necessários para obrigar uma mulher a tirar sua roupa em público?", escreveu o diretor europeu de comunicação da ONG Human Rights Watch, Andrew Stroehlein.

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A mulher deixou a praia sob o olhar dos agentes de segurança, sem deixar claro se abandonou o lugar por ordem da polícia ou por sua própria iniciativa. O prefeito de Nice, contactado pela AFP, não deu detalhes sobre as circunstâncias dessa abordagem policial, mas confirmou que cerca de 15 mulheres foram multadas desde o início da semana nas praias da cidade devido a vestimenta que usavam.

Na segunda, um vídeo publicado no Twitter exibe uma mulher sendo forçada a sair do mar por um policial, mesmo que ela não estivesse usando um burquíni, mas um hijab -o véu islâmico.

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