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MinC planeja abrir Rouanet para empresas com lucro presumido

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RODOLFO VIANA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Opiniões sobre a Lei Rouanet podem divergir, mas existe um ponto em que todas as vozes convergem: a concentração de patrocínios na região sudeste é um dos desafios do Ministério da Cultura na operacionalização do mecenato.

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Em 2015, por exemplo, o eixo São Paulo-Rio ficou com 68,7% do total de aportes a projetos culturais no país, que chegou a R$ 1,18 bilhão.

"Uma forma de mitigar essa concentração é abrir o patrocínio para empresas tributadas pelo lucro presumido [regime simplificado que presume a receita bruta para determinar a base de cálculo do imposto de renda]", afirmou Marcelo Calero, ministro da Cultura do governo interino, em encontro em São Paulo, na manhã de quarta (24).

Durante o evento promovido pela Comissão de Direito às Artes da OAB-SP, Calero disse que articula com o Senado mudanças na lei, entre as quais estão contempladas alterações que permitam maior abrangência de pessoas jurídicas nos patrocínios pelos Estados.

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Pelas regras atuais, somente empresas tributadas com base no lucro real -boa parte delas concentradas na região sudeste- podem apoiar projetos culturais na Lei Rouanet. De acordo com o ministro, ao abrir a possibilidade de patrocínio a empresas com tributação baseada no lucro presumido, a captação se pulverizaria nos outros Estados.

Em junho de 2015, a deputada federal Renata Abreu (PTN-SP) apresentou projeto de lei que insere pessoas jurídicas desse regime na Rouanet. A proposição está parada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

ACABAR COM A ROUANET? NUNCA!

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Calero comenta que, após a Polícia Federal deflagrar a Operação Boca Livre, "as pessoas perguntam quando vou acabar com a Rouanet, e a resposta é 'nunca'", pois "ela é responsável, anualmente, por mais de 3 mil projetos e pela manutenção de museus, bibliotecas e outras instituições perenes".

Ele lembra que a operação de desarticulação da quadrilha acusada de desvios na ordem de R$ 180 milhões em projetos da Rouanet surgiu dentro do ministério, no intuito de coibir ações do gênero. "Sempre vai haver bandidos que se valem de métodos legais para burlar a Rouanet e essas pessoas devem ser tratadas como são, bandidos", afirma.

Sentado no centro da mesa onde, numa das pontas, estava o cantor Lobão, crítico ferrenho do Partido dos Trabalhadores e grande articulador pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ministro reafirmou que, ao chegar no MinC, encontrou a pasta "em estado de caos".

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Ressaltou que o ministério havia acumulado dívidas de mais de R$ 1 bilhão e "não tinha dinheiro para sobreviver até o fim do ano". "Havia editais não pagos e até fornecedores sem receber", afirmou.

O "caos" também estava instalado na parte organizacional, disse Calero. Secretarias se sobrepunham umas às outras e "servidores de carreira estavam desestimulados", o que o levou a fazer uma reestruturação geral na pasta -inclusive com exonerações de pessoas que "caíram de paraquedas" e assumiram cargos de confiança.

Ele próprio garante saber que sua posição é transitória. "Tenho noção da efemeridade: eu 'estou' ministro da Cultura", diz. "Posso voltar a ser apenas um carioca da Tijuca a qualquer momento -e acho que a política precisa de mais gente comum, de mais 'cariocas da Tijuca'."

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