Turquia tem o direito de proteger sua democracia, diz embaixador no Brasil
GUILHERME MAGALHÃES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O embaixador turco no Brasil, Hüseyin Diriöz, afirmou nesta segunda-feira (22) que a "Turquia tem o direito de tomar medidas para proteger sua democracia", em referência ao expurgo promovido pelo presidente Recep Tayyip Erdogan após a tentativa de golpe em 15 de julho.
Desde então, cerca de 15 mil funcionários da educação foram exonerados, 2.745 juízes e procuradores afastados, 131 veículos de comunicação foram fechados e 10 mil militares presos. Segundo Diriöz, para quem o país "já voltou à normalidade", apenas foram detidos ou suspensos aqueles suspeitos de ligação com o clérigo Fetullah Gülen, que o governo turco acusa de ter orquestrado o golpe. Gülen, exilado nos Estados Unidos, nega envolvimento.
Diriöz, que é cientista político, afirmou que há critérios estabelecidos pelo governo para separar meros simpatizantes do movimento de Gülen, o Hizmet, daqueles que efetivamente atuaram pelo golpe, mas não especificou quais seriam esses critérios.
O embaixador falou durante uma entrevista coletiva à imprensa brasileira realizada no Consulado-Geral da Turquia em São Paulo. Diriöz rechaçou a alegação de que a imprensa turca estaria sendo perseguida por Erdogan após o golpe frustrado, afirmando que jornais críticos ao governo e sem laços com Gülen "continuam funcionando".
QUESTÃO CURDA
Em meio à tensão de constantes ataques no sul e sudeste da Turquia, o embaixador turco no Brasil afirmou que o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), a quem o governo frequentemente atribui as ações, é uma "ameaça terrorista" comparável à facção terrorista Estado Islâmico.
"A Turquia enfrenta hoje a ameaça terrorista do PKK e a ameaça terrorista do Estado Islâmico", afirmou Diriöz. "Eu não chamaria de questão curda, mas de questão PKK, questão terrorista."
No último sábado (20), um ataque a bomba em um casamento em Gaziantep matou ao menos 54 pessoas, entre elas 22 crianças. O governo responsabilizou o Estado Islâmico, que não assumiu a autoria.
Na semana passada, atentados atribuídos por Erdogan à milícia PKK deixaram 14 mortos e mais de 200 feridos em cidades do sul da Turquia. Os ataques costumam visar delegacias e policiais.
