Editora adquire direitos de Voynich, um misterioso manuscrito indecifrado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pequena editora espanhola Siloe adquiriu os direitos de publicação do Voynich, um manuscrito escrito em uma linguagem ainda indecifrada, de acordo com informações do "The Guardian".
Até o momento, o misterioso livro só pode ser visto ocasionalmente, pois fica resguardado em um cofre da Biblioteca Beinecke, da Universidade Yale.
Após uma década de apelação pelo acesso, a editora, especializada na elaboração de fac-símiles de manuscritos antigos, garantiu o direito de produzir 898 réplicas do documento -até mesmo manchas, furos, rasgos na costura do pergaminho serão reproduzidos.
A previsão é de que os clones sejam vendidos por 8 mil euros cada e cerca de 300 pessoas já pré-encomendaram exemplares, apurou o jornal britânico.
O manuscrito é nomeado a partir do antiquarista polonês naturalizado britânico Wilfrid Voynich, que comprou o pergaminho por volta de 1912 de uma coleção de livros pertencentes aos jesuítas italianos.
Ele é escrito em um idioma desconhecido e ilustrado com plantas e criaturas nunca vistas. Ao todo são 240 com desenhos de coisas que parecem descritas em visões alucinógenas, como plantas exóticas, símbolos astrológicos, criaturas em forma de medusas e mulheres nuas.
Desde que veio à tona, o texto se transformou em obsessão de vários especialistas e gerou muitas teorias.
"Minha favorita é a que fala que [o livro] é um diário ilustrado de um adolescente extraterrestre que o esqueceu na Terra antes de partir", disse em tom de piada o curador da Biblioteca Beinecke, Ray Clements, à BBC.
Por um longo período, atribuiu-se sua autoria ao frade franciscano Roger Bacon, cujo interesse na alquimia e magia teria levá-lo à cadeia no século 13. A teoria foi descartada quando um teste de carbono datou a origem do manuscrito entre 1404 e 1438.
O americano William Friedman, um dos grandes criptógrafos do século 20 e criador da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), passou 30 anos de sua vida tentando decifrar o código do manuscrito, sem êxito.
