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Olimpíada do Rio leva estrangeiros a viver Carnaval fora de época

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A vida noturna do Rio ganhou ares de carnaval fora de época durante as duas semanas dos Jogos Olímpicos. O movimento foi tão intenso que, em diversas ocasiões, ruas tomadas por multidões tiveram que ser fechadas ao tráfego de veículos.

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Assim como ocorre nas praias cariocas, houve uma espécie de separação informal de territórios: enquanto turistas brasileiros e cariocas de todos os cantos lotaram o Boulevard Olímpico, turistas estrangeiros preferiram a Lapa, reduto boêmio da capital.

"Um amigo carioca nos disse que, se estamos no Rio, tínhamos que vir à Lapa", contou a argentina Felicitas Roldán, 26.

Nos dias mais cheios, o tráfego chegou a ser interrompido na avenida Mem de Sá, onde há maior concentração de bares, enquanto milhares de pessoas tomavam o asfalto, muitas delas com copos de caipirinha nas mãos.

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"Onde eu moro, isso nunca seria permitido", comentou, surpreso, o americano Cordell Fincher, 40, que vive no Estado de Utah, e esteve na Lapa pela primeira vez na noite de sábado (13).

O movimento fez a festa de donos de bares e vendedores ambulantes.

"Esses gringos bebem para caramba", comemorou um rapaz com uma bandeja de copos com sal e uma garrafa de tequila nas mãos. "Estou vendendo o dobro de um dia normal."

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Com diversas atrações, entre casas temáticas e shows gratuitos, o Boulevard chegou a ter 150 mil pessoas em uma só noite. As ruas do entorno da Praça Mauá, onde foi instalado o palco principal, foram fechadas ao tráfego e o VLT teve a circulação interrompida nos momentos de maior movimento.

O grande número de atrações ao ar livre, porém, foi motivo de queixa dos produtores culturais da cidade, que sofreram com a pouca audiência em festas fechadas durante a Olimpíada.

"Shows incríveis, de graça, em praça pública. É lindo. Parece boa política. Só não esqueçam que essa dinâmica repetida à exaustão em horário noturno mata o circuito de palcos da cidade", escreveu o produtor cultural Léo Feijó, sócio de uma rede de casas noturnas.

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"A cada Olimpíada, Rock in Rio e Carnaval isso se repete. É inviável. Falta estratégia nessa política. Vamos pensar isso a longo prazo? Se combinar, cabe todo mundo", completou.

A possibilidade de festejar na rua, porém, parecia unanimidade entre os turistas estrangeiros.

"É legal estar no meio das pessoas, sentir a música e o ritmo", disse a neozelandesa Alexandra McDonald, 28, que também se surpreendeu com a festa na rua.

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"Aqui é bem livre. Na Nova Zelândia, não se pode beber nas ruas, você tem que estar em algum lugar fechado."

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