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ATUALIZADA - "Jovem-bomba" deixa 51 mortos na Turquia

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, afirmou no domingo (21) que um adolescente com idade entre 12 e 14 anos foi responsável pelo atentado terrorista ocorrido no dia anterior, quando ao menos 51 pessoas morreram após explosão num casamento em Gaziantep (sul).

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Segundo o mandatário turco, 69 pessoas estão hospitalizadas, 17 delas gravemente feridas. Foi o ataque mais letal no país neste ano. Em junho, um atentado no aeroporto Atatürk, em Istambul, deixou 44 mortos.

O presidente afirmou ainda que a facção terrorista Estado Islâmico está por trás do ataque, que coincide com um momento de tensão política no país. A milícia, porém, não havia reivindicado a autoria até a conclusão desta edição.

O casamento de sábado (20), alvo do atentado, era de um membro de um partido alinhado ao movimento curdo, com o qual o governo turco está em conflito.

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Com o fim do cessar-fogo entre as autoridades turcas e os curdos, em julho de 2015, as tensões têm escalado. Erdogan preocupa-se com o avanço de milícias curdas na Síria, apoiadas pelos EUA, o que poderia encorajar a etnia dentro de seu país.

O Estado Islâmico é suspeito de ataques a aglomerações curdas como maneira de aprofundar a crise e aproveitar-se do caos. Segundo a agência de notícias Reuters, o noivo feriu-se na explosão. A noiva, não.

Havia um bebê de três meses entre os mortos, de acordo com testemunhas. A bomba foi acionada durante o fim da celebração, enquanto os convidados dançavam. Um colete com explosivos foi encontrado, segundo as informações das autoridades.

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Houve funerais no domingo. Alguns foram adiados para identificação dos corpos.

INSTABILIDADE

Durante um dos enterros, manifestantes protestaram contra o presidente turco, acusando-o de "assassino".

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A instabilidade no país, em especial na fronteira com a Síria, é vista como resultado da inabilidade do governo de garantir a segurança.

Gaziantep, onde ocorreu o atentado, está localizada próxima da região fronteiriça.

A Turquia teria, segundo alguns de seus críticos, contribuído para inflamar o conflito sírio ao permitir a passagem de militantes e armas nessa região. Um relatório do governo alemão nesse sentido, recentemente revelado, causou atrito entre os países.

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O governo de Erdogan é inimigo tanto do ditador sírio Bashar al-Assad quanto das milícias que buscam derrubá-lo, incluindo movimentos curdos e o Estado Islâmico.

Soma-se a esse contexto uma tentativa frustrada de golpe militar, em 15 de julho, que deixou ao menos 240 mortos. Desde então, o governo tem promovido um extenso expurgo, demitindo e detendo em diversos setores da população, como o Exército e o Judiciário. Jornalistas também têm sido detidos no país.

Erdogan culpa o clérigo Fetullah Gülen, exilado nos EUA, de ter organizado o golpe. Gülen, no entanto, nega.

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No final de semana, Erdogan disse não ver diferença entre os seguidores de Gülen, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão e a milícia terrorista Estado Islâmico.

"Nosso país só pode reiterar uma mensagem a quem nos ataca: fracassarão!".

A Turquia tem insistido que a solução do conflito sírio é a saída do ditador Assad. Após sua reaproximação com Vladimir Putin, presidente da Rússia e aliado do regime da Síria, Erdogan tem dado sinais de que pode rever sua estratégia.

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Os Estados Unidos condenaram o ataque. Nesta semana, o vice-presidente americano, Joe Biden, irá a Ancara para discutir terrorismo com o governo turco.

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