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Micale propôs 'caos' e conseguiu o que técnicos consagrados não fizeram

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SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Desconhecido pela maioria dos torcedores até o início da Rio-2016, o baiano Rogério Micale, 47, decidiu ousar e entrou para a história do futebol brasileiro.

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Com um time no ataque desde o início do torneio, ele conquistou na noite deste sábado (20) o inédito ouro olímpico para o futebol masculino no Maracanã. Com isso, fez o que uma série de treinadores mais consagrados que ele no futebol não conseguiram.

Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Dunga e Mano Menezes foram alguns dos que tentaram subir ao ponto mais alto do pódio olímpico, mas fracassaram.

Chamado às pressas pela CBF em junho após Tite recusar o convite, Micale costuma dizer que se preparou ao longo dos seus 47 anos de vida para ter o sucesso reconhecido no Maracanã lotado.

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Ele foi goleiro, estudou educação física, trabalhou por anos no futebol de base e se aprimorou em cursos no exterior.

Fã de Pep Guardiola, ex-técnico do Barcelona e hoje no Manchester City, e de Paulo Autuori, com passagens por São Paulo e Cruzeiro, o baiano de Salvador é uma lufada de frescor no futebol brasileiro.

Micale armou a seleção sempre em busca do gol durante o torneio e terminou a Olimpíada com um time com quatro atacantes. Ao explicar a sua estratégia, ele definiu como "caos" no futebol. Chegou a comparar com a movimentação do seu time ao trânsito das grandes cidades da Índia.

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"Você olha aquela movimentação constante e parece uma loucura. Mas tem um sentido. Se não tivesse, todos estariam mortos no final do dia", afirmou Micale.

TREINOS COM LOUSA

Nos treinos, ele chamou também a atenção por comandar trabalhos fora da rotina.

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O técnico colocava fitas por todo o campo e ensaiava o time por setores. As marcações oficiais eram ignoradas. Nos intervalos, o treinador levava uma lousa e detalhava o esquema tático para os atletas.

Nas entrevistas, Micale é franco e não foge de polêmicas.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, antes do início do torneio, ele afirmou que não achava justo o Brasil gastar R$ 35 bilhões para realizar os Jogos do Rio.

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"Sou contra. É minha opinião. Por tudo que penso da sociedade, do nosso momento político. Não preciso agradar ninguém", disse o treinador, que é fã de Nelson Mandela.

FUTURO

Funcionário da CBF desde 2015, quando aceitou substituir Alexandre Gallo próximo do início do Mundial sub-20, da Nova Zelândia, Micale deverá seguir nas categorias de base da confederação. Ele terá como missão montar uma equipe para o Sul-Americano sub-20, no Equador, em janeiro de 2017. A competição classifica para o próximo Mundial, que acontecerá na Coreia.

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Antes de conquistar o título olímpico, Micale foi bronze no Pan de Toronto e vice no Mundial sub-20, em 2015.

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