ATUALIZADA - Bolt conquista a nona medalha olímpica de ouro e iguala lendas do atletismo
MARCEL RIZZO E PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADOS ESPECIAIS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O jamaicano Usain Bolt, 29, igualou-se a duas lendas do atletismo mundial ao conquistar, na noite desta sexta-feira (19), o tricampeonato olímpico no revezamento 4 x 100 m, no estádio do Engenhão.
O astro atingiu a marca de nove medalhas nos Jogos, todas elas de ouro. É a mesma quantidade que obtiveram o norte-americano Carl Lewis e o finlandês Paavo Nurmi.
Há uma estatística, porém, que favorece de maneira incontestável os feitos do caribenho, que se autodenomina uma lenda viva. Diferentemente de Lewis, Bolt jamais foi batido em uma final olímpica.
O jamaicano chegou a disputar os Jogos de Atenas, em 2004, mas parou ainda nas eliminatórias nos 200 m -ele estava acometido de uma lesão.
Desde seu primeiro triunfo, nos 100 m dos Jogos de Pequim, Bolt venceu todas as finais olímpicas que disputou, uma hegemonia nunca antes vistas nas pistas.
Com o ouro em equipe na Olimpíada do Rio, completou a tripla tríplice coroa nas três provas de velocidade -detém o recorde mundial de todas.
O desempenho suscitou até comparações com outro fenômeno esportivo da atualidade, o nadador norte-americano Michael Phelps, dono de 28 medalhas olímpicas e que foi seis vezes ao pódio no Rio.
Embora tenha o triplo de láureas que Bolt, cabe uma ressalva. Ao passo que o nadador disputou oito provas em Atenas-2004 e Pequim-2008 e seis em Londres-2012 e no Rio, o caribenho tem programa mais enxuto, com três eventos.
Phelps, inclusive, já foi batido. Nestes Jogos, ficou com a prata nos 100 m borboleta.
Indagado sobre quem seria o maior, Bolt ficou no muro.
"Sabia que vocês [jornalistas] me perguntariam sobre isso [quem é maior, ele ou Phelps]. É cada um no seu esporte. Ele nada, eu corro. Não posso dizer que sou maior, ou que ele é maior. Ele parou, voltou e conseguiu ótimos resultados, fez muito para o esporte. Somos bons em nossas modalidades esportivas", disse.
Nesta sexta-feira, ele fechou o revezamento da Jamaica, que venceu a prova com o tempo de 37s27, seguida do surpreendente Japão (37s60) e do Canadá (37s64).
Bolt correu ao lado de Asafa Powell, Yohann Blake e Nickel Ashmead. Assim que a vitória foi decretada, a organização soltou músicas de Bob Marley para o quarteto, que desfilou com as bandeiras de seu país e do Brasil e dançou.
Da arquibancada vieram gritos de "Usain Bolt, Usain Bolt".
Esperava-se um duelo com os norte-americanos (Mike Rodgers, Justin Gatlin, Tyson Gay e Trayvon Bromell), que foram superados pelo Japão e, posteriormente, acabaram sendo desclassificados pelos árbitros da prova.
"Eu trabalhei muitos anos para isso, ser o melhor. Todo trabalho e determinação compensaram", afirmou Bolt após a vitória nos 200 m, na quinta.
O velocista tem descartado a possibilidade de estender sua carreira até os Jogos de Tóquio-2020, e reitera que deixará o atletismo no Mundial de Londres, no próximo ano.
Provavelmente, em sua cabeça, o domínio já alcançou uma proporção tão grande que não há mais o que conquistar. Ele deu uma mostra disso na última quinta (18).
Um jornalista disparou a seguinte: "Se Bob Marley fosse vivo, e você pudesse pedir a ele para compor uma canção sobre você, qual seria o título?"
Bolt, sem qualquer cerimônia, devolveu de pronto: "O maior de todos os tempos".
