Juca Ferreira apoia crítica de Kleber Mendonça Filho a comissão do Oscar
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ex-ministro da Cultura da gestão da presidente afastada Dilma Rousseff, Juca Ferreira endossou nesta sexta (19), em texto publicado em sua página no Facebook, a carta aberta do diretor Kleber Mendonça Filho ao crítico de cinema Marcos Petrucelli, da rádio CBN.
Petrucelli foi escolhido pela Secretaria do Audiovisual da gestão do presidente interino Michel Temer para integrar a comissão que determinará o representante brasileiro na corrida pelo Oscar 2017.
O crítico logo virou alvo de controvérsia em fóruns especializados por ser crítico notório de Mendonça Filho, cujo filme "Aquarius" é um dos candidatos na disputa pela indicação ao prêmio -o longa concorreu à Palma de Ouro em Cannes neste ano. No festival francês, em maio, a equipe do filme ganhou manchetes pelo mundo por protestar contra o governo interino. A comissão brasileira do Oscar negou partidarização na escolha de indicação.
Na carta, Mendonça Filho chama o comportamento de Petrucelli em relação a "Aquarius", que o crítico negou ter assistido, de "constrangedor" para a Secretaria do Audiovisual.
"É de arrepiar esta carta de Kleber Mendonça Filho. Suas linhas revelam como a sombra do golpe avança rapidamente sobre as liberdades e sobre a cultura. É um retrocesso descomunal", escreveu Juca. "Quero deixar aqui meu testemunho de que, no Ministério da Cultura, desde 2003, ninguém foi censurado, preterido, discriminado ou privilegiado por suas opiniões e posicionamentos políticos. Hoje, já não temos esta garantia."
Qualificando o governo de Michel Temer de "golpista", o ex-ministro de Dilma afirmou que a gestão não combina com um ambiente de liberdade. "É indisfarçável como a censura e os apaniguamentos já estão sendo praticados sem pudores. E olhe que ainda não foram legitimados pelo Senado. Isso torna o prenúncio ainda mais sinistro. Se o impeachment for aprovado, aí sim, viveremos um tempo de censura, perseguições e vilanias."
LEIA ABAIXO O TEXTO DE JUCA FERREIRA
A sombra do golpe avança. É de arrepiar esta carta de Kleber Mendonça Filho, diretor de Aquarius, filme candidato ao Oscar. Suas linhas revelam como a sombra do golpe avança rapidamente sobre as liberdades e sobre a cultura. É um retrocesso descomunal.
Quero deixar aqui meu testemunho de que, no Ministério da Cultura, desde 2003, ninguém foi censurado, preterido, discriminado ou privilegiado por suas opiniões e posicionamentos políticos. Hoje, já não temos esta garantia. O governo golpista não combina e não transita em ambiente de liberdade. É indisfarçável como a censura e os apaniguamentos já estão sendo praticados sem pudores. E olhe que ainda não foram legitimados pelo Senado. Isso torna o prenúncio ainda mais sinistro. Se o impeachment for aprovado, aí sim, viveremos um tempo de censura, perseguições e vilanias.
