Thiago Braz vai quebrar recorde mundial, diz 'ex-saltadora' russa Isinbaieiva
JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ielena Isinbaieva gastou boa parte da entrevista que concedeu nesta sexta (19) no Parque Olímpico da Barra defendendo a si, sua federação de atletismo e seu país da acusação "sem provas, absurda" de doping que baniu quase um terço da delegação russa classificada para a Rio-2016.
Nos poucos momentos em que falou de esporte, fez festa para o brasileiro Thiago Braz, campeão olímpico do salto com vara. "Uma estrela nasceu nesta semana aqui no Brasil. Conheço Thiago desde que o vi pela primeira vez treinando na Itália com Vitali Petrov, que também foi meu técnico", contou a bicampeã olímpica e recordista mundial da modalidade.
"Não me surpreende que ele tenha conseguido o ouro. Ele lembra Bubka, tem a mesma técnica", disse Isinbaieva, comparando o brasileiro ao maior nome da história da modalidade, o ucraniano Sergei Bubka.
"Foi uma grande conquista, e você percebe que ele não se permitiu falhar diante de um estádio lotado", declarou a russa, que acredita que Braz conseguirá em breve o recorde mundial, hoje em posse de seu concorrente direto no Rio, o francês Renauld Lavillenie (6,16 m).
Isinbaieva fez força para não admitir publicamente que está aposentada do esporte. Primeiro disse que sua condição de atleta estava comprometida pela punição aplicada pela Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo), a entidade que rege o atletismo, ao time russo na modalidade.
Depois que Tóquio-2020 seria "muito difícil". Até que se rendeu: "Ok, podem escrever, hoje, 19 de agosto de 2016, Ielena Isinbaieva diz adeus ao esporte que lhe deu o coração de todas as pessoas."
A russa foi eleita na véspera para a Comissão de Atletas do COI (Comitê Olímpico Internacional), "eleita pelos próprios atletas, o que prova muita coisa", disse, em nova espetada em Sebastian Coe, presidente da Iaaf, e no relatório McLaren, documento elaborado pela Wada (Agência Mundial Antidoping) que comprovou um programa estatal na Rússia para aumento ilegal de performance. "Relatório baseado em premissas não comprovadas, que não mostram nenhum fato."
"Devo pedir perdão a Sebastian Coe e outros que citei. Quando cheguei ao Rio, julguei a atitude deles e não deveria ter feito isso. Quem julgará esses senhores será o futuro e Deus", afirmou.
Isinbaieva não admite que exista ou já existiu um programa de doping em seu país. "O que há é o que existe em todos os países, atletas que se dopam. Isso é errado, tem que ser combatido. Mas o que aconteceu com a Rússia foi um grupo inteiro de atletas pagar pelo erro de três pessoas. Isso não é justo", declarou a, "agora oficialmente" ex-saltadora.
