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Em terceiro no quadro de medalhas, China tenta relaxar com 'mau' resultado

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RAUL JUSTE LORES

SAO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sinal da rede de televisão britânica BBC foi cortado em Pequim durante uma reportagem sobre a má performance da ginástica chinesa. A censura se repete quando redes internacionais tocam em temas julgados sensíveis pelo Partido Comunista chinês.

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A Grã-Bretanha está à frente da China no total de medalhas de ouro: até o início desta sexta (19) a China tinha 20 ouros, dois a menos que os britânicos. Se o quadro permanecer assim, será a primeira vez que a China fica em terceiro lugar no pódio desde Sydney-2000 (e é o menor número de ouros desde Atlanta-1996). Na Olimpíada de Pequim, o país ficou em primeiro lugar, com 51 ouros.

"Talvez a geração de Pequim 2008 tenha envelhecido", disse à Folha Alvin Lau, comentarista da CCTV5, canal esportivo da televisão estatal, que está no Rio. "Mas, para mim, só o governo fica decepcionado com os resultados. A juventude chinesa está adorando a Olimpíada".

Um dos exemplos é o sucesso midiático da nadadora Fu Yuanhui, bronze nos 100 metros costas. A desligada Fu só soube de sua medalha quando avisada por uma repórter. "Diz muito sobre a nova China que ela seja mais festejada que qualquer ouro", diz Lau. "É a primeira atleta que não faz comentários decorados e oficiais sobre sacrifício ou patriotismo. A espontaneidade dela conquistou os chineses".

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O país trouxe 416 atletas para o Rio, sua maior delegação na história. O jornal estatal "Global Times", considerado o mais nacionalista entre os veículos do Partido Comunista, publicou que a China esperava "de 30 a 36 ouros" em reportagem de capa às vésperas do início dos Jogos. Mas até esse jornal tenta mudar de assunto. "O povo está relaxado com o resultado de medalhas", publicou em editorial, "tolerância notável à seca de medalhas de ouro para a delegação nacional".

Em artigo, o professor He Wenyi, do Instituto sobre o Valor dos Esportes na Universidade de Pequim, escreveu que a China "deixou de ser um país atrasado para ser a segunda maior economia mundial, não precisamos mais usar o esporte para ter confiança no país".

Levantamento de peso, saltos ornamentais e tênis de mesa respondem por 15 das 20 medalhas de ouro do país. Esta é a primeira vez que a ginástica chinesa não ganhou nenhuma medalha desde 1984 (foram onze ouros em 2008, contra cinco em Londres para a modalidade).

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"As maiores audiências da TV chinesa são dos jogos de basquete americano da NBA e de futebol das ligas europeias. Nesta Olimpíada, os chineses estão discutindo mais nas redes sociais sobre o Brasil e Alemanha no Maracanã do que as medalhas", diz Lau, que já narrou partidas de futebol com audiência de 130 milhões de telespectadores.

O desempenho chinês está longe de ser um fracasso. O país mais populoso do mundo ficou fora dos Jogos Olímpicos entre 1956 e 1980 por não concordar com a representação de Taiwan nos Jogos (desde 1984, a China concorre como República Popular da China e Taiwan como "Taipé Chinesa"). Durante um bom tempo o governo parecia se importar muito mais em criar uma máquina de medalhas do que em promover o esporte amador.

A Olimpíada de Pequim teve um orçamento estimado em US$ 40 bilhões, o segundo maior da história (só atrás dos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia, mais de três vezes o orçamento do Rio). As autoridades contrataram 29 técnicos estrangeiros para treinar os atletas locais (em Londres, apenas 11 estrangeiros treinavam os chineses). Franceses treinaram futebol e esgrima, um australiano treina o basquete, um americano o atletismo e uma japonesa --de um rival histórico da China-- o nado sincronizado.

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Para o comentarista da CCTV, "até 2008, tínhamos que provar para o mundo que podíamos organizar bem os Jogos. Depois da Olimpíada de Pequim, acho que relaxamos e isso é um bom sinal".

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