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Japonesa perde invencibilidade de 189 lutas e deixa escapar feito histórico

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MARIANA LAJOLO, ENVIADA ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Helen Louise Maroulis havia acabado de conquistar a medalha de ouro na luta olímpica. Corria pela área de luta como uma criança, carregando a bandeira dos EUA. Só um fotógrafo, unzinho mesmo, registrava no momento.

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As outras três dezenas deram as costas para ela, câmeras apontadas para a arquibancada onde Saori Yoshida, 33, buscava o consolo da família.

A derrota doía. Muito. Uma dor que ela só havia sentido outras duas vezes em sua carreira profissional. Até esta quinta-feira (18), a lutadora da categoria até 53 kg era a mais dominante atleta em torneios de primeira linha de qualquer esporte. A japonesa tem três títulos olímpicos e 13 mundiais. Só perdeu três vezes na carreira profissional e 12 na vida, a última delas para Helen.

Derrota que não só a deixou em segundo lugar nos Jogos do Rio, mas significou também a perda da chance de igualar um feito histórico. Um dia antes, sua compatriota, Kaori Icho, 32, havia conquistado o ouro na categoria até 58 kg e se tornara a primeira mulher a ser campeã olímpica em quatro Olimpíadas seguidas.

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Marca que estava restrita a apenas quatro homens: Al Oerter (arremesso de disco, EUA), Ben Ainslie (vela, GBR), Paul Elvstrom (vela, DIN) e Michael Phelps (natação, EUA) -esta última, atingida também no Rio.

Kaori tem dez títulos mundiais e ficou invicta por 189 lutas, de 2003 a janeiro deste ano. Ela só perdeu três vezes em toda sua carreira profissional e sete vezes na vida toda.

"Tenho lutado por tantos anos. Tenho de agradecer todos que me ajudaram", disse.

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A felicidade de Kaori na quarta contrastou com a devastadora derrota de Saori.

A torcida japonesa tingia parte das arquibancadas da Arena Carioca 2 de branco e vermelho e ganhava mais voz ao se unir aos brasileiros.

A lutadora havia perdido pela última vez em 2012.

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"Ela foi mais forte do que eu. Devia ter atacado antes e mais rápido, mas ela era mais forte", afirmou Saori.

Aos prantos, depois de deixar a arquibancada, ela agradeceu à torcida, fazendo a saudação tradicional japonesa para todos os cantos da torcida em que havia japoneses. Foi muito aplaudida antes, durante e depois da cerimônia de entrega de medalhas, mas as lágrimas não cessavam.

Os Jogos do Rio viram a queda da maior de todos os tempos e conheceram o maior domínio de uma mulher na história do esporte. Duas histórias protagonizadas por japonesas miúdas, pelas maiores lutadoras do mundo.

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