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Rejeição a migrantes é preconceito contra pobres, diz pesquisadora

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DANIEL BUARQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A grande rejeição a imigrantes e refugiados no mundo, revelada por uma pesquisa do instituto Ipsos divulgada na última quinta-feira (11), reflete menos um problema relacionado ao fluxo de pessoas no mundo e mais um forte preconceito contra as pessoas mais pobres no mundo.

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A avaliação é da diretora de pesquisa do Centro para Migração, Política e Sociedade da Universidade de Oxford, Bridget Anderson, que analisou o levantamento a pedido da reportagem e criticou seus resultados.

Para a pesquisadora, há uma pista na forma como o termo "migrante" é usado. "Na Europa, nos EUA e em muitos países asiáticos o termo 'migrante' não é aplicado para pessoas do norte global, ou para banqueiros e outras pessoas ricas. Trata-se de um termo que denota os pobres. Claro que os ricos e poderosos regularmente buscam controlar a mobilidade da população, mas só recentemente as fronteiras internacionais se tornaram um mecanismo para isso", disse.

A pesquisa foi realizada em 22 países mostrou que há uma grande preocupação dos entrevistados em relação a segurança e medo de terrorismo e que, no total, quase 40% dos ouvidos defendem o fechamento total das fronteiras dos seus países a refugiados. Ela revelou que os cidadãos em todas as nações avaliadas acham que a quantidade de pessoas imigrando para seus países está crescendo, e que isso gera impactos negativos nos países internamente.

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O resultado do levantamento gerou fortes críticas entre pesquisadores dedicados a analisar a atual crise de refugiados no mundo. A própria ONU (Organização das Nações Unidas) alertou contra a "demonização" dos refugiados revelada pela pesquisa de opinião global.

Para a pesquisadora de Oxford, essa rejeição a refugiados e migrantes diz mais sobre as sociedades que respondem à pesquisa do que sobre a imigração. "É uma questão de preconceito", diz.

MIGRAÇÃO

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Segundo Anderson, a avaliação depende muito do que as pessoas acreditam ser o significado da palavra "imigração".

"As pessoas sempre se mudaram -se não fosse assim, a humanidade continuaria apenas na África. O que mudou foi a apresentação global da migração, de regimes de cidadania e de certos tipos de fronteiras, que são de fato recentes. Mobilidade que era aceita como normal se tornou algo extraordinário pela normalização das fronteiras internacionais", explicou.

Para a pesquisadora, a preocupação que as pessoas entrevistadas dizem ter em relação a migrantes é criada pelo medo de que as coisas no país saiam do controle.

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"Há o medo de que não haja recursos suficientes no mundo, e que há pobres demais no mundo e muitos lugares problemáticos. Uma pessoa, tudo bem, mas há medo do fato de que há milhões de pessoas por aí. E as pessoas se sentem ameaçadas"

Segundo ela, há ainda um problema com este tipo de pesquisa de opinião, e os entrevistados se sentem levados a falar em preocupação quando questionados, mesmo que não pensem regularmente sobre o assunto.

"Dado que as pessoas não sabem exatamente o quesignifica 'migrante', pode-se esperar que uma pessoa aleatória não saiba o que isso significa quando responde a um questionário assim."

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Fechar as fronteiras, outro ponto importante da pesquisa, não teria o efeito esperado por esses entrevistados. "Não iria fazer as pessoas pararem de se mudar. As pessoas se tornariam mais vulneráveis em movimentação ilegal, e essa migração ocorreria sem nenhum controle."

Anderson avalia ainda que a melhor política para mudar a mentalidade das pessoas sobre migração passa por uma melhora na situação dos pobres dentro de cada país, fazendo com que eles parem de ver os migrantes e refugiados como concorrentes pelos privilégios de fazer parte da sociedade.

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