Em entrevista a TV americana, Lochte altera detalhes de versão sobre assalto
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O nadador americano Ryan Lochte, 32, reafirmou nesta quarta (17) que foi vítima de um assalto durante os Jogos Olímpicos do Rio em entrevista à emissora americana NBC. O atleta, no entanto, alterou detalhes da versão que havia contado anteriormente.
O jornalista Matt Lauer afirmou ter conversado com Lochte por telefone e relatou duas inconsistências: que o táxi em que os nadadores estavam foi abordado ainda no posto de gasolina em que tinham parado, e não em uma blitz, como haviam descrito; e que em nenhum momento uma arma foi pressionada contra sua cabeça, mas apontada em sua direção.
Apesar das variações, o atleta negou de imediato que as declarações sejam falsas. "Nem eu nem os outros inventaríamos uma história dessas", afirmou à Lauer.
O episódio aumenta o clima de incerteza em torno das declarações dos nadadores norte-americanos. A Polícia Civil do Rio já pôs em dúvida a queixa de que o assalto armado tenha ocorrido no último domingo (14) e conseguiu autorização da Justiça para apreender os passaportes dos envolvidos.
Na noite desta quarta, dois dos nadadores -Gunnar Bentz, 20, e Jack Conger, 21- foram impedidos de embarcar de volta para os Estados Unidos. Eles foram levados para a delegacia da Polícia Civil no aeroporto internacional do Rio.
Lochte, medalha de ouro no revezamento 4 x 200 m na Olimpíada do Rio, já se encontrava nos Estados Unidos. Ele havia deixado o Brasil na segunda (15), 24 horas antes da decisão judicial.
O Ministério Público do Rio solicitou a realização de novas diligências para apurar possível prática do delito de comunicação falsa de crime por parte dos nadadores.
Na manhã de quarta, policiais civis chegaram à Vila Olímpica para cumprir mandados de busca e apreensão determinados pela juíza Keyla Blanc, do Juizado Especial do Torcedor do Rio, na terça (16) à noite.
No local, os investigadores receberam a notícia confirmada horas depois pela Polícia Federal: Ryan Lochte havia deixado o Brasil.
CONTRADIÇÕES
Em seu despacho, a juíza Blanc afirma que há contradições nos depoimentos dos dois nadadores à polícia.
Lochte disse ter sido abordado por um assaltante armado e obrigado a entregar todo o dinheiro que estava com ele, em torno de US$ 400 (cerca de R$ 1,2 mil). Já Feigen afirmou aos policias que o grupo foi abordado por vários assaltantes, mas apenas um deles estava armado.
Também chamou a atenção dos policiais um vídeo divulgado pelo jornal "Daily Mail" que mostra os nadadores voltando tranquilamente para a Vila Olímpica, às 6h56 do domingo.
Segundo a polícia, câmeras do Club France mostram que os nadadores deixaram o local por volta de 5h45.
Segundo Blanc, o comportamento dos americanos registrado em vídeo mostra que "as supostas vítimas chegaram com suas integridades físicas e psicológicas inabaladas, fazendo, inclusive, brincadeiras uns com os outros".
O Comitê Olímpico dos EUA disse estar colaborando com as autoridades.
Na noite desta quarta, a assessoria do Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro se restringiu a informar que o órgão está "ciente das reportagens sobre a decisão da Justiça brasileira de reter os passaportes dos atletas americanos envolvidos no incidente".
