Equador condena a 40 anos de prisão homens que mataram argentinas
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Dois homens foram condenados, nesta quarta (17), a 40 anos de prisão pelo assassinato de duas turistas argentinas ocorrido em fevereiro na praia de Montañita (a 530 quilômetros de Quito), no Equador.
O crime desencadeou protestos de grupos de direitos das mulheres em toda a América Latina e a saída do cargo da número dois do Ministério do Turismo do Equador.
Alberto Segundo Mina Ponce, 33, foi considerado o autor dos assassinatos e Aurelio Eduardo Rodríguez, 39, coautor. Ambos foram condenados, em decisão unânime, à pena máxima do Equador após a Justiça considerar que o motivo do crime foi sexual.
Mãe de uma das vítimas, Gladys Coni disse à reportagem considerar o resultado satisfatório, mas que aguarda uma segunda investigação ser concluída. O Ministério Público abriu uma causa paralela para analisar a possibilidade de haver outras pessoas envolvidas no crime -hipótese sugerida por familiares da vítima ainda no começo do ano.
Gladys viajou da Argentina ao Equador para acompanhar o julgamento, que havia começado no último dia 8.
Uma das filhas de Gladys, a estudante de economia María José, que tinha 22 anos, foi morta após sofrer tentativas de estupro e um golpe na cabeça. Marina Menegazzio, 21, que viajava com María, foi apunhalada seis vezes no pescoço, segundo a perícia.
Para Felipe Coni, 27, irmão de María, a decisão da Justiça e a continuação das investigações é importante para sua mãe [Gladys]. "Sinto que isso poderá aliviar sua alma e só então ela poderá passar pelo luto", afirmou à reportagem.
"Para mim, se os condenam a dez anos ou à prisão perpétua, dá no mesmo, já que não posso mais ver minha irmã."
Os corpos das argentinas foram encontrados em sacos plásticos em terrenos próximos à casa de Ponce, que, no julgamento, afirmou ser inocente, apesar de admitir ter ajudado a esconder os corpos. Ele responsabilizou um traficante venezuelano pelos assassinatos.
Rodríguez alegou que apenas acompanhou as estudantes em um táxi desde o bar onde ele as conheceu até a casa de Ponce, onde elas foram mortas. À época do crime, as primeiras reações de autoridades e da imprensa local ressaltaram que as universitárias "viajavam sozinhas" sem companhia masculina-, o que suscitou críticas e enorme repercussão na região, sobretudo em redes sociais.
A então subsecretária de Turismo do Equador, María Cristina Rivadeneir, afirmou que os assassinatos "iriam ocorrer cedo ou tarde", pois as jovens viajavam de carona e "procuravam festa".
"Com certeza isso ocorreria com essas meninas em algum lugar, pois iam [do Equador] até a Argentina pedindo carona. Ia acontecer algo cedo ou tarde", declarou.
O governo equatoriano se desculpou pelas afirmações e exonerou a funcionária.
