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Uruguai chamou suposta compra de voto de mal-entendido, diz Serra

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LAÍS ALEGRETTI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse nesta quarta (17) que o Uruguai chamou de "mal-entendido" a interpretação de que o Brasil teria tentado "comprar voto" do país na discussão sobre a presidência do Mercosul.

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"Não há mais nenhum problema no nosso trabalho conjunto com o Uruguai. Ele [o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa] considera que houve mal-entendido, um equívoco da parte deles", afirmou Serra.

O jornal uruguaio "El País" revelou que Novoa afirmou que o presidente Tabaré Vázquez ficou "muito incomodado" com uma proposta do governo brasileiro para, segundo Novoa, "comprar o voto do Uruguai" no debate que envolve a presidência venezuelana do Mercosul.

Devido às declarações, o Brasil convocou o embaixador uruguaio em Brasília, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, para dar esclarecimentos, um sinal de reprovação à entrevista.

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A situação, segundo o ministro, foi resolvida por meio de um telefonema. Serra afirmou que não foi discutido o mérito do assunto e não quis responder se o uruguaio pediu desculpas. "Eu não vou ser indiscreto", disse.

A reportagem procurou a Embaixada do Uruguai no Brasil no fim da tarde desta quarta-feira, mas não conseguiu contato.

CRISE NO MERCOSUL

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Serra voltou a dizer que a Venezuela não tem condições de dirigir o Mercosul e disse que, agora, é necessário encontrar uma solução para a presidência do bloco neste semestre.

"A Venezuela não vai assumir o Mercosul, isso é seguro. Agora estamos procurando uma fórmula que tem que ser encontrada para poder levar o Mercosul até dezembro e, em janeiro, assume o comando do bloco a Argentina."

O Mercosul está sem presidente desde 1º de agosto, quando o Uruguai deixou a presidência. A Venezuela deveria assumir o posto pelos próximos seis meses, mas Brasil, Paraguai e Argentina se opõem.

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Os países justificam sua rejeição ao afirmar que o governo do presidente Nicolás Maduro não respeita os direitos humanos ao manter opositores presos e ao reprimir manifestações de adversários políticos.

Para os três países, a Venezuela não cumpriu as exigências para se tornar membro permanente do bloco até 12 de agosto, quando terminou o prazo de quatro anos para que o país se adequasse a todos os tratados.

Caracas já esteve à frente do Mercosul de julho de 2013 a julho de 2014. Também é avaliada a possibilidade de "rebaixar" a Venezuela dentro da organização para impedir Maduro de assumir a Presidência.

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Para o tucano, a Venezuela entrou no bloco por meio de um golpe, já que o Paraguai, que não concordava com a entrada, estava suspenso. "Para entrar, é preciso que os outros membros concordem unanimemente."

REFERENDO

Na entrevista, Serra reiterou sua posição a favor da realização do referendo revogatório contra Maduro ainda neste ano, como quer a oposição venezuelana. Se a consulta for feita até 10 de janeiro, haverá novas eleições no país.

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"Todos os países democráticos do mundo devem pressionar o governo venezuelano para que realize no prazo mais breve possível esse referendo", disse.

As declarações foram feitas após o chanceler brasileiro receber dois adversários de Nicolás Maduro -Luis Florido, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional, e Carlos Vecchio.

Questionado sobre se uma consulta à população a respeito da presidência também deveria ocorrer no Brasil, Serra negou e argumentou que seria muito complexo esse processo em um país do tamanho do Brasil.

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"Uma vez até me fizeram uma proposta para eu, como senador, apresentar projeto de recall, revogatório, mas é muito complexo num país que tem 5.500 municípios, 27 Estados, é muito complexo."

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