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Depoimento de Neschling à CPI revela que maestro foi demitido e readmitido

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GUSTAVO FIORATTI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O maestro John Neschling chegou a ser afastado da direção artística do Theatro Municipal de São Paulo por pelo menos uma hora em setembro do ano passado. Segundo documento exibido nesta quarta-feira (17) na CPI da Câmara Municipal que apura irregularidades nas contas do teatro, o rompimento de contrato com o maestro foi assinado por William Nacked, diretor afastado do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, a organização social que administra o teatro.

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Segundo o maestro, Nacked assinou a demissão com a intenção de calá-lo. "Ele fez algo como 'vamos tirar o Neschling daqui, pois ele vai nos denunciar", contou. O prefeito Fernando Haddad não endossou o afastamento e revogou a medida de Nacked uma hora depois, contou o maestro.

Nacked tornou-se suspeito nas investigações por emissão de notas frias e por pagamento de propina. Segundo seu advogado, a história contada por Neschling "não corresponde à realidade", o que "será demonstrado no momento próprio."

Além de Nacked, é investigado pelo Ministério Público e pela CPI José Luiz Herencia, ex-diretor geral do teatro. Ele fechou acordo de delação premiada.

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Foi Neschling, segundo ele próprio, quem levou à prefeitura a suspeita de que havia um esquema de corrupção montado dentro do IBGC, fato que o maestro reiterou durante seu depoimento à CPI. Durante mais de quatro horas, ele respondeu aos questionamentos da comissão.

No início da sessão, houve atrito entre o advogado do maestro, Eduardo Carnelós, e os parlamentares presentes. Por orientação da defesa, Neschling não assinou o termo de compromisso com a CPI, que descreve inclusive direitos do depoente. A justificativa da defesa foi de que o termo estava redigido para alguém que estivesse na condição de testemunhas e não de investigado.

A relação de Neschling com o prefeito Haddad foi um dos tópicos mais explorados pela comissão, o que o vereador Alfredinho (PT), relator da CPI, classificou, ainda durante a sessão, como "tentativa de envolver o governo e a prefeitura", no escândalo. Neschling foi questionado sobre o fato de ter recebido, em um sítio de sua mulher, Patrícia Melo, a visita do prefeito, no ano passado.

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A comissão não apresentou provas ou evidências de que Neschling pudesse ter agido no mesmo esquema que tem como suspeitos Herencia e Nacked. Mas o maestro foi confrontado por ter determinado a compra de espetáculos vendidos pelo agente internacional Valentim Proczynski, que também o agencia no exterior. Sobre o possível conflito de interesses, ele respondeu que Proczynski é apenas "um dos inúmeros" agentes que o Municipal contrata.

A mulher de Neschling também havia sido convocada à sessão de hoje, mas não compareceu. Ela é sócia majoritária da empresa pela qual o maestro recebe seu salário da prefeitura. Segundo a comissão, ela será convocada novamente.

ENTENDA O CASO

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1. Em novembro, José Luiz Herencia, então diretor-geral da Fundação Theatro Municipal, pede exoneração do cargo. Em dezembro, após apreensões em imóveis seus, passa a responder inquérito no Ministério Público. A Controladoria Geral do Município identifica rombo milionário nas contas do Municipal, relacionadas a esquema de superfaturamento de óperas.

2. Em fevereiro, Herencia tem bens bloqueados na Justiça. A Promotoria faz nova apreensão no Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização social responsável pelas contas do teatro. William Nacked, seu diretor, é afastado do cargo e Paulo Dallari assume a administração geral do Municipal. 3. Em março, com acordo de delação premiada, Herencia envolve outros agentes do Theatro na investigação. Aponta conflitos de interesse em contratações que envolvem um agente internacional de John Neschling, diretor artístico da casa. "Alma Brasileira", espetáculo de grupo catalão que teve parcelas pagas mas não estreou, passa a ser investigado.

4. Em junho, a Câmara Municipal abre CPI do Theatro Municipal. No mês seguinte, Carlus Padrissa, diretor do grupo Fura Dels Baus, atesta no Ministério Público que o agente de Neschling no exterior, Valentin Proczynski, cobrou valor maior do teatro do que aquele que deveria ser pago ao grupo. Relatório da Controladoria aponta que rombo nas contas do teatro são de R$ 15 milhões.

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5. Neste mês de agosto, Justiça autoriza a quebra de sigilo dos e-mails do maestro John Neschling. Quebra acontece depois de votação para um requerimento da CPI, com o mesmo motivo, ser cancelada. O cancelamento foi determinado por requerimento do relator da comissão, Alfredinho (PT), sob o argumento de que os procedimentos de votação não foram respeitados.

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