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Robson Conceição vence final traz ouro inédito para o boxe

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O boxeador Robson Conceição, 24, conquistou na noite desta terça-feira (16) medalha de ouro inédita para o boxe brasileiro.

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Conceição, que competiu no peso ligeiro (até 60 kg), venceu sua quarta luta nas Olimpíadas e garantiu lugar no topo do pódio.

Ele bateu o francês Sofiane Oumiha, 21, sexto do ranking, que havia vencido o número dois na semifinal. Conceição se sagrou campeão por decisão unânime dos juízes. Ele venceu os três rounds.

O brasileiro é atualmente o quinto do ranking. Para chegar à final, precisou desbancar o número um, o cubano tricampeão mundial Jorge Lazaro Alvarez, 25.

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Conceição dá a volta por cima após ser eliminado em suas primeiras lutas nas Olimpíadas de Pequim-08 e Londres-12.

O pugilista teve desempenho irrepreensível na Rio-16. Venceu todas as suas lutas por decisão unânime dos juízes.

Na primeira luta, contra o atleta do Tajiquistão Anvar Yunusov, 29, o brasileiro venceu por nocaute técnico, após seu oponente ter alegado contusão e desistido da luta antes do segundo assalto.

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Na segunda luta, Conceição desempatou histórico contra o uzbeque Hurshid Tojibaev, 26, ao vencer por unanimidade na opinião dos juízes. Os dois já tinham se enfrentado em outras duas ocasiões, com um resultado favorável para cada.

A terceira luta foi a mais emocionante da categoria. Conceição saiu vencedor contra o cubano tri campeão mundial Jorge Lazaro Alvares, 26. Em combate parelho, Conceição só confirmou a vitória no último assalto.

O boxe chegou à Rio-16 envolto em expectativas. O esporte foi o segundo que mais deu medalhas para o país em Londres-12, com dois bronzes e uma prata, atrás apenas do judô (um ouro e três bronzes).

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O resultado havia encerado um jejum de 44 anos sem medalhas no boxe. A primeira e única do país na modalidade era um bronze, de Servílio de Oliveira, na Cidade do México-68.

O time brasileiro iniciou com nove atletas nas Olimpíadas do Rio, mas apenas Conceição conseguiu dar sequência a suas vitórias.

A pugilista Andreia Bandeira, 29, que luta sua primeira Olimpíada, está nas quartas de final da categoria de peso médio (de 69 kg a 75 kg), após vencer sua luta de estreia. Se vencer, garante pelo menos o bronze. Sua luta ocorre na próxima quarta-feira (17), às 15h.

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PERFIL

Quando criança, Robson Conceição, 24, sonhava em lutar. Não no ringue, mas nas ruas do Carnaval de Salvador.

De porte franzino, decidiu que tinha que aprimorar suas técnicas para levar a melhor sobre outros meninos.

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O objetivo era alcançar o mesmo nível de prestígio do tio materno, um dos maiores brigões da capital baiana.

Um amigo que já treinava boxe passava as técnicas ao menino, à época com 13 anos, no quintal de casa.

A manopla (espécie de almofada que os boxeadores usam para golpear nos treinos) era improvisada com uma sandália de borracha.

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A atadura, usada por debaixo da luva para proteger o punho, Conceição conseguia no pronto socorro ao forjar pequenos acidentes.

Criado pela avó no bairro de classe média baixa de Boa Vista de São Caetano, Conceição trabalhou como vendedor de picolé, ajudante de cozinha e feirante.

PREPARAÇÃO

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Na noite anterior às suas lutas, Robson Conceição, 24, costuma ficar sozinho num canto, mentalizando os golpes que irá desferir quando o combate for à vera. Às vezes faz isso deitado, no escuro.

Em outras prefere pensar no banho. Dá socos imaginários na água e simula movimentos de esquiva. Tudo isso para manter o foco até o momento decisivo.

Ele costuma ouvir música evangélica nos dias que precedem o combate e também minutos antes de subir no ringue. O pugilista não é evangélico. Acredita em Deus e usa o poder motivador do gospel para lhe dar inspiração.

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