Fora do pódio na vela, Scheidt deixa em aberto disputar nova Olimpíada
ITALO NOGUEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O velejador Robert Scheidt, 43, pode tentar de novo se tornar isolado o maior medalhista olímpico do país. Foi o que deixou em aberto em entrevista nesta terça-feira (16) após ficar pela primeira vez sem ir ao pódio numa edição dos Jogos.
Ele terminou em quarto lugar na sua categoria na Rio-2016 e segue com a marca histórica ao lado do velejador Torben Grael, que também tem cinco medalhas.
Depois da competição, Scheidt afirmou que não disputa mais a classe laser na Olimpíada, na qual conquistou dois ouros e uma prata em Atlanta-96, Sydney-00 e Atenas-04. Mas não quis decretar sua ausência em Tóquio-20, onde pode tentar chegar à sexta medalha.
"Tem que esperar o tempo passar. A adrenalina da Olimpíada te consome muito. Não pensei um segundo sobre os próximos Jogos Olímpicos. Laser é difícil, vamos aguardar a nova geração assumir essa posição. Uma outra classe, vamos ver outros fatores", afirmou Scheidt, que terminou em quarto na classificação geral.
A classe laser é uma das que mais exigem esforço físico. No início do ciclo olímpico, Robert Scheidt chegou a ficar em dúvida se deveria voltar para o barco. Nesta final, o segundo atleta mais velho tinha 30 anos.
"Laser está encerrado. Ninguém velejou mais de laser do que eu nesse mundo. Muita gente não acreditava que eu poderia ser competitivo com 43 anos, mas quase cheguei na medalha. Faltou pouco. Fisicamente não devia nada a nenhum dos três medalhistas", disse ele.
O brasileiro definiu o último dia de competição como "um dia de sensações bem diversas". Ele dominou com folga a regata, mas precisava que o neozelandês Sam Meech ficasse no máximo em sexto --2013;ele terminou em quarto.
"Ganhar a 'medal race' com essa torcida, essa energia, terminar vencendo a última prova é sensacional. Por outro lado, não cheguei no meu objetivo final, que era a medalha olímpica. Fiz o que deu para fazer. Eles foram um pouco mais consistentes do que eu ao longo da semana. Tive uma semana de altos e baixos", disse o brasileiro.
Scheidt chegou à regata da medalha podendo chegar a no máximo ao terceiro lugar (bronze), em razão da pontuação acumulada após as 12 regatas classificatórias. O desempenho no último dia dessa fase pesou, quando ficou em 26º lugar na 11ª prova. Esse mau resultado o tirou da disputa pelo ouro e o distanciou do pódio.
O brasileiro dominou a prova após passar pela primeira boia, subindo de terceiro para primeiro lugar. A partir dali, dominou a regata. Em alguns momentos, olhou para trás para checar o desempenho de Meech.
"O neozelandês teve muito sangue frio de segurar a posição dele. Até freei meu barco para tentar causar alguma situação, criar uma colisão, algum protesto. Mas, se eu fizesse isso, o francês [Jean Baptiste Bernard, que também lutava pelo bronze] me passaria e não resolveria a questão", afirmou o velejador.
