Justiça determina quebra de sigilo de e-mails do maestro John Neschling
GUSTAVO FIORATTI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça determinou a quebra de sigilo de e-mails do maestro John Neschling, atual diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo.
Tanto no Ministério Público como em uma CPI na Câmara dos Vereadores, as correspondência do maestro são consideradas fundamentais para investigar suposta participação de Neschling em irregularidades nas contas do teatro.
A informação foi adiantada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" e foi confirmada pela Folha de S.Paulo junto ao Ministério Público.
A quebra ocorre momentos antes de um depoimento de Neschling à CPI, programado para esta quarta (17). É a segunda vez que ele é convocado a responder questões sobre o Municipal. Na primeira, não compareceu.
Também foi chamada à CPI sua mulher, a escritora Patrícia Melo, sócia da empresa PMM Produções Artísticas, pela qual Neschling recebe seu pagamento.
Até agora, as investigações atingiram dois executivos do Municipal: José Luiz Herencia, que foi diretor-geral da casa até o fim do ano passado e fechou acordo de delação premiada, e William Nacked, diretor do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização social responsável pelas contas do teatro. Ambos são investigados por participarem de esquema de superfaturamento de óperas. Com o andamento das investigações, Nacked foi afastado.
As suspeitas sobre Neschling foram levantadas a partir da contratos fechados com um agente internacional, Valentin Proczynski, que também representa o maestro no exterior. Um desses contratos previa a apresentação de um espetáculo chamado "Alma Brasileira". Houve pagamentos de cerca de R$ 1 milhão, mas o trabalho nunca entrou em cartaz.
Além de "Alma Brasileira", Proczynski, por meio de sua empresa Old and New Montecarlo, intermediou a contratação do grupo catalão La Fura Dels Baus, que se apresentou no teatro em julho. O diretor da companhia, Carlus Padrissa, em depoimento ao Ministério Público, afirmou que Proczysnki cobrou do teatro valor maior do que o montante que deveria ter sido cobrado em nome do grupo. São particularmente os e-mails entre Neschling e Proczynski, ou as correspondências que tratam de suas parcerias, que interessam agora aos investigadores do caso.
A Folha tentou falar com Eduardo Carnelós, advogado de Neschling, mas não obteve resposta até agora. Segundo texto assinado pelo advogado e publicado na semana passada na página de Neschling no Facebook, o Ministério Público requereu o afastamento do maestro da direção artística do teatro, mas o pedido não foi aceito na Justiça.
