Prata, Isaquias chama técnico espanhol de pai e diz que medalha não viria sem ele
PAULO ROBERTO CONDE
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Momentos depois de conquistar a medalha de prata na prova C1 1.000 m da canoagem velocidade nos Jogos Olímpicos do Rio, Isaquias Queiroz, 22, foi para a galera no estádio da Lagoa Rodrigo de Freitas. Literalmente.
Ele abraçou sua mãe, Dilma, que estava em prantos, e outros familiares. No íntimo, porém, a gratidão pela conquista do primeiro nacional pódio da modalidade foi dirigida a um estrangeiro: o espanhol Jesús Morlán.
O treinador assumiu a programação de treinos de Isaquias em 2013, quando foi contratado pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) e ressuscitou a carreira do canoísta, que estava em xeque, sobretudo por ter perdido a vaga para os Jogos Olímpicos de Londres-2012.
"Em 2012, eu tinha sumido do mapa da canoagem. Nem sei se estava pensando na Olimpíada do Rio. Mas, em 2013, o COB fez uma contratação muito importante. Com Morlán, os resultados do Brasil melhoraram muito na canoagem. Fomos para Mundial logo na primeira temporada e conseguimos medalhas de prata, bronze e ouro. Acho que sem ele eu não teria ganhado essa medalha", afirmou o medalhista olímpico.
"O pessoal pode falar que eu tenho talento, mas sem um bom cara para lapidar o diamante não tem como chegar a um ponto certo. Sem ele [Morlán], não teria ganhado essa medalha. O cara tem cabeça, tem seis medalhas [olímpicas] no currículo. Não é para qualquer treinador. Ele sabe treinar o atleta e é como um pai para mim, sempre me incentivou", disse ele, que ficou atrás apenas do alemão Sebastian Brendel, agora bicampeão olímpico.
Antes de treinar os brasileiros, Morlán, que é avesso a entrevistas, comandou o espanhol David Cal, dono de cinco pódios olímpicos (um ouro e quatro pratas).
Sob Morlán, Isaquias foi ao pódio em todos os Mundiais que disputou de 2013 a 2015 --2013;ao todo, foram seis láureas. O baiano também obteve três medalhas nos Jogos Panamericanos de Toronto.
O segunda colocação no C1 1.000 m também foi especial porque redimiu um fato engasgado em sua garganta até hoje. No Mundial de Moscou, em 2014, Isaquias dominou a prova e, a poucos metros de vencê-la, caiu de seu barco.
"Eu caí no Mundial, perdi a medalha de ouro, mas foi aprendizado. Acabei aprendendo com os erros ao longo dos anos. É com a vida que a gente aprende", comentou o brasileiro.
A trajetória de Isaquias nos Jogos do Rio ainda não terminou. Entre esta quarta-feira (17) e sábado (20), ele ainda disputa eliminatórias, semifinais e finais do C1 200 m e do C2 1.000 m (este em parceria com Erlon Souza). Nas distâncias, ele tentará se tornar o primeiro atleta do Brasil a ir ao pódio três vezes em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos.
"Todas as provas têm sua dificuldade. O C1 1.000 m é pela resistência, o C1 200 m é pela largada e velocidade, o C2 1.000 m é pelo parceiro, porque às vezes a remada pode não encaixar. Remei muito bem, estou feliz com a medalha de prata. Agora é ver o que posso fazer nos 200 m e, na sexta-feira, no C2 1.000 m."
