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Mulheres de Bernardinho e Zé Roberto revelam segredos dos técnicos do vôlei

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MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Bernardinho ou Zé Roberto? Para duas mulheres, não há a menor dúvida sobre a resposta à pergunta que sempre ronda o esporte nacional.

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Afinal, Fernanda Venturini, 45, e Alcione Guimarães, 59, são mais do que companheiras dos técnicos das seleções masculina e feminina de vôlei do Brasil. Elas sabem os segredos deles.

"O Bernardo não gosta de jogar em casa, porque tem a responsabilidade, a torcida, os familiares. Não foca como se estivesse no Japão ou nos EUA, onde está lá só para o vôlei. Então ele não gosta. Se pudesse escolher ele não gostaria de estar jogando aqui. Por outro lado é maravilhoso jogar mais uma Olimpíada, em casa, apesar de todos os problemas que a gente vai enfrentar e já está enfrentando", diz Fernanda à reportagem.

Ex-levantadora, como o marido, Fernanda está casada com Bernardinho há 17 anos e com ele tem duas filhas: Júlia, 14 e Vitória, 6. O treinador também é pai de Bruninho, levantador da seleção, fruto de seu relacionamento com a também ex-jogadora Vera Mossa.

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Outra revelação de Fernanda é sobre o futuro do técnico na seleção brasileira.

Segundo ela, Bernardinho deve deixar a equipe nacional após sua nona Olimpíada (duas como jogador e a sétima como técnico).

"Para ele esta Olimpíada é diferente. Ainda mais porque ele ainda não decidiu se para. Acho que ele vai decidir só após. Já falei para ele parar de pensar nisso agora. É uma coisa que está na cabeça dele. Mas ele sabe que uma vida pode estar acabando", afirma Fernanda.

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"Lá atrás a gente começou a comentar. Mas ele não tem convicção. Ele já não perde mais o sono. Desde que ele assumiu esse último quadriênio ele fala. A princípio só da seleção, também não quero que ele fique em casa. Não é do perfil dele. Com 56 anos, duas filhas. Já perdeu o crescimento de uma e a outra está com seis anos. Ele está vendo que o tempo está passando e tem outras coisas na vida além do voleibol", completa a ex-levantadora.

Fernanda conseguiu comprar ingressos para assistir as quartas de final, semifinal e final do vôlei masculino. Também tem ingressos para ela e as filhas irem ver o atletismo e a ginástica. Ela quer curtir a Olimpíada com as filhas, pois o papel como mulher do técnico da seleção acredita que já cumpriu.

"Ele sempre me pede opinião. De fora vejo com olhar diferente, mas a gente não conversa muito, só troca ideias sobre vôlei. Eu ajudo mais no extra-quadra, para que ele tenha a cabeça só lá, focada. Não levo problema nenhum, seja lá qual for. Fico com as meninas. Melhor ele não saber dos problemas, porque não vai resolver mesmo", conclui.

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PARCERIA

Bernardinho tem um ouro, três pratas e um bronze olímpico. Zé Roberto, três ouros. Mesmo assim, o único tricampeão do país nos Jogos não se vê como um herói nacional.

"O Zé nem se considera um dos grandes", diz a mulher.

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Casados há 36 anos, pais de Carol, 34, e Fernanda, 32, avós de Felipe, 6, e Gael, quatro meses, Zé e Alcione estão na sétima Olimpíada juntos.

Para ela, a mais difícil.

Primeiramente pela dificuldade para comprar ingressos -ao contrário dos atletas, que ganham tíquetes do COB, os treinadores precisaram comprar para seus familiares. Depois, em razão dos altos valores cobrados pelos aluguéis no Rio.

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"Procuramos não passar esses problemas para ele. Não precisa de mais esse estresse", diz Alcione, que vai levar a família aos jogos.

"Outro dia o Fê acordou e disse: 'Tenho que ir dar sorte para o vovô'. E vamos", diz.

Zé é muito apegado aos netos, mas segundo a mulher não deve se aposentar após os Jogos do Rio para ficar em casa. "Ele não aguentaria seis meses", brinca.

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Além de cuidar da família quando o marido está fora, Alcione já fez até trabalho de estatística ao lado do marido.

"Sempre ajudei, sou formada em educação física, fui professora e amo esporte. A sorte dele é que durmo tarde, então ficava ajudando nas estatísticas dos jogos que ele ficava revendo a noite", diz.

Alcione diz que nunca quis saber antes os nomes de convocadas ou cortadas da seleção. Mas que foi uma "conselheira" para Zé Roberto passar a entender melhor o universo feminino.

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Ao olhar para o alto do pódio, Alcione pode dizer que os conselhos deram certo.

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