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Brasileiro ajuda classificar africanos, mas deixa canoístas na véspera dos Jogos

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MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um técnico brasileiro ajudou a classificar, pela primeira vez na história, canoístas de Moçambique e São Tomé e Príncipe para uma edição dos Jogos Olímpicos.

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O baiano Figueroa Conceição, porém, abandonou, nas palavras dele próprio, a dupla de moçambicanos Mussa Chamaune, 24, e Joaquim Lobo, 27, desde que eles chegaram ao Rio para a Olimpíada, no último dia 28 de julho.

Eles são dois dos seis classificados do país para os Jogos do Rio. Os outros quatro atletas do país africano no Rio são da natação (dois), do judô e do atletismo.

Já de São Tomé e Príncipe, Buly Triste da Conceição, 25, é o único dos três atletas do país que conseguiu classificação direta para os Jogos do Rio -os outros dois, do atletismo, chegaram à Olimpíada por meio de convite.

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E foi justamente a classificação dos africanos, em abril deste ano, que deu início a polêmica com o brasileiro.

Mas a história dessa parceria dos países conectados pela língua portuguesa começa quatro anos antes.

Desde 2011 existe um acordo de cooperação entre a CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) e a Federação Moçambicana de Vela e Canoagem. Basicamente, técnicos brasileiros ajudam na preparação dos canoístas de Moçambique. Neste período, foram três: Juan Emanuel, Pedro Sena e, por último, Figueroa da Conceição.

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A parceria com São Tomé começou depois, em 2014.

Baiano de Ubaiataba, Figueroa é tido como um dos descobridores de Isaquias Queiroz, brasileiro favorito a até três medalhas no Rio.

Técnico da seleção brasileira feminina de canoagem velocidade (modalidade que entra no programa olímpico em Tóquio-2020), Figueroa passou a treinar Mussá e Joaquim em julho de 2015.

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Os moçambicanos mudaram-se para Curitiba, onde fica um dos centros de treinamento da CBCa, aproveitando a estrutura brasileira, mas com tudo bancado pela federação de Moçambique.

Vaga inédita garantida em abril, na África do Sul. Quatro meses depois, a reportagem presenciou o reencontro deles na Vila Olímpica, no Rio. Figueroa cumprimenta Mussá, estende a mão para Joaquim e não é retribuído. Nenhum sorriso. Clima tenso.

Mussá não quer falar do assunto. Joaquim tampouco, mas diz uma única frase a respeito. "Ele nos abandonou".

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Figueroa, depois que a dupla volta para seu prédio na Vila, tenta explicar.

"Fiz meu papel e fiz bem. Eu os abandonei? Sim. Mas não foi por grana. Falar de grana faz perder o brilho do trabalho. Mas o acordo que tinha com eles não foi cumprido", diz o baiano.

Segundo, Hélio da Rosa Alberto, secretário-geral da Federação Moçambicana de Vela e Canoagem, "nunca houve acordo com Figueroa".

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"O acordo que tenho é com a CBCa, que vai ser renovado, mas agora com outro técnico. Figueroa está sendo falso", afirma à reportagem.

Figueroa, que recebe salário da CBCa, diz que nunca ganhou nada de Moçambique. "Nem reconhecimento".

"Os africanos sempre ficam à margem. Mas eu cumpri meu trabalho, e foi de graça. Os louros não estão vindo para quem merece", reclama.

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Como não poderia, de qualquer forma, ser técnico de Moçambique e de São Tomé e Príncipe, o baiano optou pelo segundo. E indicou seu auxiliar-técnico Alex Moscoso para ficar com a dupla moçambicana.

Ele, porém, teve o credenciamento negado em razão de problemas com a própria documentação. Por essa razão, os moçambicanos estão sem treinador no Rio.

"A preparação não foi a que queríamos. Mas tentamos aprender o máximo possível e estamos aqui", disse Mussá à reportagem.

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Os moçambicanos vão competir nas provas de C2 1.000 m, C1 1.000 m (Mussá) e C1 200 m (Joaquim), que ocorrem de segunda a sexta.

Já Buly, de São Tomé e Príncipe, compete apenas C1 1.000, também nesta segunda (15). Ele, que morou junto aos moçambicanos em Curitiba, foi sucinto no comentário sobre os problemas dos amigos africanos.

"Um dia sem técnico faz diferença", conclui.

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