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Mesmo com país fora da Rio-16, brasileira do hóquei participa da competição

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MARCEL RIZZO, ENVIADO ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em agosto de 2015, a Federação Internacional de Hóquei (FIH) definiu as 24 seleções de hóquei sobre a grama que disputariam a Rio-2016, 12 entre os homens e 12 entre as mulheres.

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Sem o ranking mínimo exigido (40° do mundo, ao menos), as brasileiras ficaram fora. É o único time, entre as modalidades coletivas, que o Brasil não conseguiu classificar para a Rio-2016 -os homens do hóquei garantiram a vaga.

Uma jogadora, porém, está na Olimpíada. Thalita Cabral, 26, meia-esquerda da seleção, está presente em todos os dias da competição de hóquei nas duas arenas construídas no Parque Olímpico de Deodoro. Trabalhando.

Ela foi convidada pela organização da Rio-2016 para ser uma das responsáveis por organizar a parte de estatísticas da competição, em material que é produzido para os jornalistas. É um espécie de voluntária, já que recebe apenas diária e hospedagem, mas, diferentemente daqueles que se inscrevem, foi chamada pelo conhecimento das regras. E ganhou uma credencial que a coloca próximo dos atletas.

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"Já tirei uma foto com o australiano [Jamie Dwyer], o grande jogador da atualidade, que vai encerrar a carreira aqui. Consigo conversar com todos. É um sonho estar aqui. Eu queria viver esse sonho olímpico, mesmo não sendo como jogadora", disse Thalita.

Ela conseguiu o convite para estar na Rio-2016 depois ter feito trabalho semelhante no evento-teste do hóquei para a Olimpíada, em novembro de 2015. A seleção feminina participou, mas Thalita estava machucada. Lesões, por sinal, quase encerraram a carreira da paulista, que hoje mora em Florianópolis (SC), onde joga hóquei e trabalha como professora de educação física, o seu ganha-pão, já que é impossível viver do esporte no Brasil.

"Me machuquei em 2014 e acabei ficando frustrada. Tive outros problemas particulares e acabei me afastando. Estou voltando agora para a seleção. Podemos evoluir. É difícil, mas não impossível uma vaga olímpica no futuro", disse.

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Thalita começou a jogar hóquei levada por uma amiga a um clube de São Paulo, aos 15 anos. Se apaixonou, mas acha que é preciso incentivar as crianças a praticar. "Você não vê ninguém com menos de 11, 12 anos jogando hóquei. Fica difícil formar times fortes", avaliou.

A não classificação do hóquei feminino gerou polêmica com algumas atletas, que questionaram a preferência de investimento no time masculino, que tinha mais chances de se classificar. Thalita prefere não polemizar e acha que as jogadoras tiveram culpa pela não ida aos Jogos.

"Falhamos em um torneio, quando precisávamos ser segundas e ficamos atrás da Guiana", disse, relembrando o Pan American Challenge, que dava duas vagas à Copa Pan-Americana, que deixaria o Brasil perto da Rio-2016.

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De uniforme azul, igual a todos os outros contratados para ajudar na parte técnica das seleções, Thalita realizou o sonho de participar de uma Olimpíada, mesmo não estando dentro de campo.

As competições de hóquei sobre a grama, disputadas em Deodoro, vão até sexta (19). Em Londres-2012, o ouro ficou com a Alemanha (masculino) e com a Holanda (feminino).

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