Tempo de 2016 deixaria Bolt fora do pódio em Londres; rivais se aproximaram
RODRIGO MENEGAT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Usain Bolt é o homem mais rápido do mundo, mas os outros estão chegando cada vez mais perto.
O ouro do jamaicano nos 100 m rasos da Rio-2016, que lhe garantiu o posto de único tricampeão olímpico da categoria, foi o mais difícil de conseguir na carreira. A vantagem sobre os outros medalhistas foi a menor de todas as Olimpíadas que disputou.
Se Bolt voltasse quatro anos no tempo e disputasse a final olímpica do Reino Unido novamente, ficaria de fora do pódio. Terminaria atrás da versão mais jovem de si mesmo, do conterrâneo Yohan Blake e do americano Justin Gatlin, seu eterno rival.
Em Pequim-2008, quando conquistou sua primeira medalha dourada, Bolt terminou a prova dos 100 m em 9s69 -o segundo colocado, Richard Thompson, de Trinidad e Tobago, ficou 0.20s atrás.
Nos Jogos de 2012, em Londres, ele fez sua melhor final olímpica, com tempo de 9s63. Ficou 0.12s a frente do compatriota Yohan Blake, medalha de prata.
Agora, a vantagem encolheu ainda mais: o tricapeão ficou apenas 0.08s a frente do americano Justin Gatlin, que levou a prata no Engenhão.
A diferença cada vez menor entre o fenômeno jamaicano e os outros corredores também fica evidente nos tempos que obtém durante a temporada.
Mesmo com a vitória na final da Olimpíada, Bolt não detém a melhor marca de 2016. Ele fica atrás de Gatlin, que marcou 9s80 na seletiva americana para os Jogos, em julho.
Gatlin também é dono dos melhores tempos de 2015 e 2014. Antes disso, Bolt era soberano: foi o homem mais rápido de 2008, 2009, 2011, 2012 e 2013. Só perdeu em 2010, para outro americano: Tyson Gay.
Bolt afirmou que, para vencer na Rio-2016, teria de "entender e superar o limite dos rivais". Ele continua fazendo isso, mas tem cada vez menos tempo para olhar para o lado, sorrir e bater no peito antes da vitória.
